quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estagnação

Os braços e as pernas abertos, tal qual o famoso desenho de Da Vinci, deitada no chão. Sua face irredutível e indiferente, olhos voltados para o teto por pura conveniência - não havia nada mais de interessante naquele quarto.

A cada dia sentira, tentara compreender e desistira, vários sentimentos projetados em si, compartilhados ou proporcionados apesar de nenhum realmente ter conseguido ocupar espaço em sua mente por muito tempo.

Tentou lidar com a falta do que fazer do jeito que pôde e na intensidade que conseguia. Aprendeu a fazer algumas coisas e a se interessar por elas, vasculhou na lembrança momentos que pudessem tirá-la da realidade por algum tempo, ocupou-se com atividades sem resultados e com algumas obrigatórias e, por fim, quase redescobriu uma rotina (mas não chegou tão longe).

E o ânimo se foi. As manhãs, cinzentas ou claras, davam bom dia e as estrelas fosforescente de seu teto (se é que reparava em outras) sussurravam boa noite; fora isso não havia nada para delimitar o dia. Ou talvez não existisse mais vontade para fazê-lo.

Foram horas, minutos ou segundos ali, descansando um corpo inutilizado. Na verdade, tanto fazia para ela, pois sabia que o dia duraria as mesmas torturantes 24 horas cronológicas, com todas suas pausas e acelerações.