terça-feira, 13 de outubro de 2009

Meses nas trevas, jogados no escuro, no meio da minha memória.
Eu não consigo me lembrar daquelas noites, eu não consigo me lembrar daquelas tardes, eu não consigo me lembrar daquelas manhãs. As únicas coisas de que me lembro são flashes difusos de momentos em que larguei meu corpo e minha vida no automático e não me importei com mais nada.
Não trago marcas físicas mas por dentro as cicatrizes são enormes e escondidas. Talvez só para eu saber que, em algum lugar do passado, não vivi. Porque eu não me lembro daquela época, mas tenho duas certezas que me dão uma base horrível...
Eu não posso dizer se chorei todos os dias e não posso garantir que sorri em algum momento, mas me condeno culpada de pensar, pelo menos por um instante, que minha vida era inútil e que todos estariam melhor sem mim.
Foi o altruísmo mais perigoso e mais insano da minha vida; não tive a estupidez de me permitir um pensamento desses de novo. Ao invés, aprendi a apenas chorar e pensar que eu ainda tenho muito tempo pela frente - se Deus quiser - e que tudo só tende a melhorar, pois, quando caímos, do chão não passamos.
Essa é a força que me move nos momentos de crise, de todos os tipos, e não me deixa parar de viver.
Depois daquela época, eu criei medo da escuridão. Nunca... nunca mais quero voltar para ela.