Ela sempre foi aquela que aparecia de repente só pra dar um oi e depois ia embora. Era dessas que chegava na casa de alguem querido sem avisar, só pra entregar uma surpresa gostosa. Ela sempre queria que todos experimentassem sua última invenção e nunca cobrava enquanto não tivesse aprovações suficientes (às vezes nem depois). Ela sempre tentava ter um elogio para oferecer ou alguma outra coisa que fizesse sua companhia sorrir.
Ela falava em corações quentinhos, abraços apertados, mãos dadas e arrepios. Ela brincava com as palavras e se enrolava, sem saber se ainda estava falando sobre o mesmo assunto ou pelo menos sobre algo importante. Ela tentava rir de si mesma, mas às vezes ficava à beira das lágrimas de vergonha. Ela se cercava de pessoas que admirava e gostaria muito que elas soubessem disso, mas nem sempre conseguia se expressar.
Ela queria ter habilidades que não tinha e virava a pessoa mais feliz do mundo quando alguem dizia que ela atendeu as expectativas. Ela tinha como objetivo jamais desistir de algo que realmente queria. Ela tinha mãos inquietas. Ela tropeçava sozinha, perdia o equilíbrio quando estava parada e trombava com objetos em todos os lugares, mas nunca deixava passar a oportunidade de seguir uma linha reta, pé ante pé. Ela era viciada em pisar em folhas secas.
Ela acreditava em ruas tranquilas, papos sem fins, amizades para sempre, conversas felinas e olhos brilhantes. Ela colecionava moedas bonitas, livros favoritos e cicatrizes com boas histórias. Ela tinha medo de se frustrar, então evitava fazer planos e economizava em seus sonhos de vida. Ela sonhava muito quando dormia... quase nunca eram coisas que faziam sentido, mas muitas vezes faziam rir (a ela e aos amigos). Ela gostava muito de rir.
Tantas coisas sobre ela que são tão sutis. Tantas coisas sobre ela que passam tão despercebidas. Tantas coisas sobre ela que ela mesma não percebe. Enfim... todas as coisas sobre ela que são justamente o que a fizeram ser como é.
segunda-feira, 14 de março de 2016
Ela
quarta-feira, 2 de março de 2016
É quase simples
Eu não quero acordar, mas o despertador já tocou.
Eu não quero levantar da cama, mas preciso sair.
Eu não quero comer, mas preciso me sustentar em pé.
Eu não quero dirigir, mas preciso chegar ao trabalho.
Eu não quero ouvir música, mas preciso não pensar um pouco.
Eu não quero trabalhar, mas preciso receber o salário.
Eu não quero almoçar com a equipe, mas preciso socializar.
Eu não quero voltar para o escritório, mas o trabalho ainda não foi finalizado.
Eu não quero voltar pra casa, mas tenho tarefas para fazer.
Eu não quero dormir, mas preciso acordar amanhã.
E no fim, não é uma birra... é só uma falta de vontade e de perspectiva tão profundas que nenhuma motivação é suficiente. É só mais um daqueles períodos escuros em que a luz no fim do túnel oscila e a força de vontade pra continuar quase se esvai.
É só um dia ruim... seguido de outro e de outro.
Mas uma hora melhora. Uma hora acaba.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Talvez uma droga
O corpo inteiro parece conduzir uma corrente elétrica, resumindo bem.
O coração bate forte e, se eu me concentrar, consigo sentir a pressão batendo nas pontas dos dedos. Não sei se é o frio mas não paro de tremer... dos pés à cabeça. De repente percebo como estou completamente ciente de todos os meus movimentos e de como as luzes são claras. Não consigo dormir mais, mesmo que tenha fechado os olhos por apenas uma hora. Não devo ter sonhado com nada (pelo menos não lembro de nenhum sonho) mas parece que não me mexi nem meio centímetro durante o sono. Pensamentos passam pela minha mente como carros numa rodovia... mal consigo ver a cor de cada um. Sinto como se fosse explodir.
Isso sou eu sob efeito de 3 latas de energético, depois de uma noite comum de balada com as amigas. Não misturei com nada, não bebi nenhum refrigerante e nem água.
Nunca teve um efeito desses.
Eu me sinto bem.
Mas talvez eu não deva fazer isso de novo... realmente acordei achando que ia explodir.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Cortar laços
Sem mais contatos. Sem mais abraços. Sem mais confortos. Sem mais ciúmes. Sem mais brigas. Sem mais "bom dia" e "boa noite". Sem mais cinema no meio da tarde. Sem mais mensagens no meio da noite. Sem mais planos. Sem mais seriados embaixo das cobertas. Sem mais experiências na cozinha. Sem mais declarações. Sem mais músicas compartilhadas. Sem mais campeonatos pra assistir. Sem mais gordices. Sem mais cócegas. Sem mais dividir a cerveja. Sem mais "eu te amo".
Sem mais nem menos, do nada.
E eu só queria 100 mais vezes tudo isso...
terça-feira, 14 de abril de 2015
Um pequeno comentário/desabafo sobre minha última leitura.
Mais uma vez "órfã". É... Acabei de terminar mais um livro. Dessa vez foi It, de Stephen King.
É um livro intenso, instigante, deliciosamente descritivo e surpreendente.
Eu, que nunca tive vontade de ler Stephen King, babei em cima desse livro por semanas até finalmente ganhar de presente da minha irmã.
Terminar ele foi como levar um soco na boca do estômago.
Foram 1102 páginas que me acompanharam por quase um mês. Um mês em que eu não consegui passar mais de 10 minutos sem pensar na história, mesmo tendo que passar até dois dias sem poder tocar as páginas e retomar os capítulos.
Pennywise foi parte de mim. Eu tive medo de ouvir sons vindo do ralo e de sonhar com o sorriso sangrento de palhaço dele. Quase senti em mim a Coisa passar seus dedos brancos, podres e enluvados. Temia acordar e perceber que meu livro (que sempre passava as noites embaixo do travesseiro) estava desmarcado ou manchado ou com uma foto que se moveria, se eu parasse para olhar.
Vou confessar que tive que ler as últimas páginas próxima de outras pessoas, com receio de ver alguma coisa que me causaria
(pesadelos à noite)
arrepios.
Voltas e reviravoltas depois, tudo está acabado. A tartaruga não pôde nos ajudar mas Bill Gago, Bevvie, Monte de Feno, Boca de Lixo Tozier, Eds, Stan e Mickey sim. SIM, SENHOR. SIIIM, SENHOR.
Espero que a tinta não se apague na minha memória. Foi uma história e tanto essa que me contaram sobre uma pequena cidade do Maine chamada Derry e sua propensão a acontecimentos violentos e macabros.
Ps: pequenas influências da narrativa nesse texto. ♡
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Compras de natal
Fatos ditos, vamos aos acontecimentos: estávamos na vitrine de uma loja de sapatos, vendo os modelos que ela gostava para pedir ao vendedor. Minha avó é meio surda, o que faz qualquer pessoa ter que elevar um pouco a voz para falar com ela, e o vendedor não percebeu ou não quis fazer nada a respeito por educação, o que me levou a ficar "traduzindo" tudo que ele falava. Em poucos minutos uma senhora que estava passando chegou perto da gente e elogiou a situação porque "hoje em dia é difícil os jovens terem tanta paciência com os mais velhos"... agradeci, minha avó ficou orgulhosa, a senhora desejou boas festas, continuamos a escolher os sapatos e eu comecei a pensar.
Pouco tempo depois paramos numa loja de óculos para eu escolher um para mim. O atendente foi super gentil e útil e em alguns minutos eu já tinha decidido qual óculos levaria. Depois de tudo pago, notinha e óculos na mão, ele se apoiou na bancada e disse que, nos vendo pra cima e para baixo, não pôde evitar lembrar da avó dele, que não vê há 3 anos porque mora em Minas. Contou que ela ficou doente e que estava quase vindo buscar ele porque ele nunca vai lá. Disse que bateu uma saudade imensa e prometeu que vai dar um jeito de ir visitá-la nas próximas férias. Saímos de lá e comecei a observar... várias pessoas ficavam nos olhando. Algumas obviamente rindo (eu estava usando uma sacola gigante como "mochila" porque não conseguia carregar na mão enquanto empurrava a cadeira de rodas) mas outras sorrindo levemente para nós.
Voltando para casa e acabei esquecendo do assunto mas agora me veio na cabeça... quão errado é as pessoas se impressionarem com neta e vó passeando pelo shopping, conversando e apontando para vitrines? Por que eu mereço elogios por ter paciência com a minha vó? Será que o vendedor realmente vai visitar a velhinha dele? Por que tantas vezes se vê idosos sofrendo maus tratos?
No fundo, é como minha vó fala: "velho é igual criança", precisa dos mesmos cuidados, atenção e ajuda. Por que, então, tem tanta gente que ama crianças mas não suporta passar duas horas com um idoso, até mesmo sendo do próprio sangue? O tempo vai passando cada vez mais depressa e muita gente acaba esquecendo que um dia nós que seremos os idosos, nós que precisaremos de ajuda para levantar, para cozinhar, para entender a nova tecnologia e de muito carinho porque nos sentimos sozinhos.
Assim como qualquer outra pessoa, um idoso quer alguem para conversar às vezes. Que tal ir visitar seus avôs? Mandar uma carta, ligar, mandar um presentinho? Para os que infelizmente não tem mais essa geração da família, por que não ir a um asilo talvez e adotar um vovô? Eles tem tantas histórias para contar... no fim, mais do que uma boa ação, será um ato de amor e humanidade de aquecer o coração.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Algo sobre comunicação e sinceridade
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Agradecimentos
Se fosse começar um livro, faria questão de escrever em um caderninho todas as pessoas que me ajudaram a fazer da minha obra, um trabalho finalizado. Inicialmente e desde já penso primeiramente em agradecer a todos que me ensinaram e incentivaram a ler. Ter tido a oportunidade de descobrir o poder maravilhoso da palavra escrita - pensada, trabalhada, redigida, repensada e confirmada - me fez ser quem sou hoje.
Mesmo meu currículo literário ainda sendo curto perto dos de muitas pessoas, fico feliz e satisfeita de olhar na minha estante e ver tantos livros incríveis. Tenho certeza de que não chegaria ao dia de hoje se não houvesse me espelhado em tantos personagens diferentes, carregados de sabedoria e pontos de vista distintos, frutos das cabeças de escritores que nunca conheci de fato mas que eu adoraria dar um abraço e apenas agradecer.
Tenho lembrado muito tambem das minhas queridas professoras do ensino médio, que me inspiravam a procurar cada vez mais livros e autores, passando por cima de preconceitos bobos como estilo de escrita, tipo de texto, autores desconhecidos e finais feitos. Ainda antes disso, como não agradecer às professorinhas da escolinha, que conseguiram enfiar na minha cabecinha (loira à época) todo o alfabeto e as milhares de palavras que se podia formar com as letras? Sem isso meu agradecimento jamais aconteceria.
Combustível, aprendizado e incentivo. Infelizmente gosto de ter todos os livros que li mas me faltam dinheiro e espaço para isso. Nem deveria precisar mas nunca é demais lembrar que eu não teria lido metade do que li se não fossem as pessoas maravilhosas da minha vida que me presentearam com livros. Fossem livros aleatórios, preferidos, detestados, indicados por conta de filme ou carregados desde muito tempo para serem passados como herança. Eu gostaria que todas essas pessoas soubessem o quanto sou grata.
Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por palavras e tento conhecer novas todos os dias. Mesmo assim não conheço nenhuma maior e que reflita mais o que quero dizer do que "obrigada". À você que ensinou, incentivou e me disponibilizou livros, à você que escreveu, publicou, me enviou textos ou me deu motivos para escrever: você fez parte da minha formação como pessoa e hoje meus agradecimentos são para você. Muito obrigada!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Confissões de uma aspirante a jogadora
Posso dizer que já tentei praticar alguns esportes. Comecei lá no início da vida com o queridinho Judô. Não me lembro direito mas minha mãe diz que eu adorava essa luta e era até muito boa para a idade que tinha (opinião de mãe, vamos relevar...). O tempo passou e eu tambem passei por Futsal, Basquete e Vôlei (minha primeira grande esperança! Eu jogava como ponteira e conseguia saltar uma altura razoável para os meus queridos 162cm). Realmente me divertia praticando esses esportes no colégio mas nunca fui grande coisa, ainda mais se comparada à minha irmã - uma esportista nata, devo dizer... Sempre a mais esforçada e muitas vezes a líder do time, mas ela é tema para outro texto.
Minha lista continua com a natação: desde poucos anos de idade até poucos anos atrás era minha maior fonte de medalhas e esforço físico. Água é minha eterna paixão e eu me sentia muito bem numa piscina. Numa dessas braçadas da vida eu acabei conhecendo o pólo aquático... Amor à primeira vista. Entrei para o time do colégio para "fazer volume" e acabei como segunda artilheira do campeonato. Só abandonei as piscinas quando elas sumiram da minha vida e a saudade que eu sinto desse esporte é tão grande que até das câimbras eu lembro com carinho.
Segue o jogo... De volta para as quadras, conheci o handebol. Linhas, metragens, armadoras espertas, um raio de jogadora chamada pivô para atrapalhar a vida de todos e a bola... A amarelinha que passava de mão em mão mas nunca parava na minha. Uma dificuldade genética: minhas mãos são minúsculas! Fiquei feliz da vida quando conheci a H50 e consegui me adaptar à gordinha H1 mas a H2, geralmente usada, me escapa como uma bola de basquete em mãos normais. Não dei o braço a torcer e me mandei pro gol... Ninguem mais me tirou de lá.
Normalmente as pessoas acham legal quando digo que gosto de handebol e jogo sempre que posso mas invariavelmente fazem caretas e me chamam de louca quando digo que sou goleira. "Você tem que ter algum problema pra conseguir abrir bem os braços quando vem uma bola diretamente na sua cara", "Você bateu a cabeça antes de tomar essa decisão, né?", "Não tinha posição melhor pra você escolher?", "Goleira? Ah, vá! Olha o seu tamanho!" e tantas outras perguntas e afirmações interessantes. O que posso dizer? Eu adoro aquela ardência leve e a satisfação instantânea que bate logo depois de defender uma bola. Mesmo machucada e sem opções de colaborar mais ativamente com o time, eu continuo querendo estar lá.
Enfim... Tantos esportes, tantos anos, tantas diferenças e eu aqui, parada. Quero e preciso voltar a praticar alguma coisa. Qual será a próxima tentativa? Algo individual? Algum time? Algum novo amor? Jamais saberei enquanto não procurar. E enquanto não arranjo tempo e disposição para isso... Vamos para a academia.
domingo, 30 de setembro de 2012
Dão-se conselhos e opiniões.
Preferência por trabalhar com vontades e quereres mas não há distinção de outros tratamentos. Atendimento por meios telefônicos, eletrônicos ou pessoalmente. As sessões podem ser individuais ou com acompanhante especial (que pode estar parcial ou totalmente por dentro do assunto em questão), exceto céticos e intolerantes. O pacote inclui opcionais como ombro amigo, almofadas fofas para serem socadas, água gelada à vontade, abraços consoladores e cafuné. O tempo para desabafo e/ou explicação do problema é livre e pausas para lágrimas e gritos não contarão como adicional. Disponibilidade total para ouvir pormenores e paciência grande para dramas que pareçam essenciais (mesmo que não sejam e o contratante saiba disso). Atendimento a domicílio ou em locais à combinar.quinta-feira, 27 de setembro de 2012
As três
Cortinas abertas, telhado exposto, diferentes pontos de vista. As minhas 3 queridas: a Eterna, a Fuga e a Escondida. Amigas, companheiras, confidentes e sempre sinceras... Não há um dia que eu não sinta saudades delas. Cada uma a seu modo, todas sempre estavam lá comigo e para mim. E hoje eu escrevo porque bateu a saudade. Veio aquela vontade louca de tê-las todas perto de mim de novo. Ah, as minhas preciosas janelas...
Lembro como se fosse agora... Mesmo com cortinas e telas, eu sempre podia ir longe, vagando pelo céu azul ou sendo levada pelas gotas de chuva. Tantas lembranças! Tantos momentos! Ah, como ainda é fresco na minha memória: de manhã eu corria para a Eterna, para saborear o nascer-do-sol e conseguir decidir se o dia que me aguardava seria quente ou frio - inúmeras foram as vezes em que eu não soube interpretar bem; de tarde eu me acomodava no computador e virava a cadeira para a Escondida... Pequena e quebrada, dificilmente ficava aberta mas ainda assim era a mais requisitada para iluminação; e à noite eu juntava meus fones de ouvido, algum edredom bem fofinho e catava o travesseiro mais próximo, com cuidado abria a Fuga, tirava a tela e me instalava no telhado com todo o sentimento que eu conseguisse carregar. Ah, como eu sinto falta!
A mordomia de pendurar a rede e ler algum livro tendo a Eterna como plano de fundo, a calmaria de escrever textos, comer sushi ou apenas tirar um cochilo olhando as estrelas e o alívio de abrir a Escondida e fazer as unhas ou esquentar os pés nos riscos de luz que formavam no chão. Sem contar que, durante o sono, ainda podia aproveitar o vento que entrava por alguma das queridas janelas. Não há palavra que defina melhor esse meu sentimento do que a clássica "saudade".
Pode-se dizer que eu sempre tive o sonho de morar num "sótão" mas esse lugar que eu chamava de quarto até pouco mais de 3 meses atrás era simplesmente melhor que o sonho. Valia a pena o calor, o frio, o carpete molhado e o teto baixo. Valia a solidão e a falta de privacidade. Valia até todos os problemas que já apontaram no meu quarto. Pra mim aquele era meu pedacinho de paraíso e meu primeiro sonho infantil realizado, algo que nunca esquecerei e ainda vou sentir falta por um boom tempo. Meus maiores agradecimentos, claro, para a Eterna, a Fuga e a Escondida, minhas queridas e preciosas.
Ps: Acho que é a primeira vez que eu anexo uma foto minha na postagem mas é só porque ela foi basicamente minha inspiração para esse texto. (Essa é a Fuga)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Parecia...
Não, não éramos. Talvez já tenhamos sido... No fundo não importa o que, pois nunca assumimos. Sempre fugimos de rótulos, o que facilitava a furtividade dos nossos olhares. Talvez por isso estar com você é como voltar pra casa: a familiaridade do caminho me permite procurar meus detalhes favoritos na paisagem. Nesse caso a minha paisagem são seus gestos, sorrisos e palavras. Tão vivos na minha memória que eu poderia descrever como se desse um endereço. Fazer o que, sou detalhista...
Sou detalhista a ponto de pensar nos segundos e esquecer as horas. Mas, lá no fundo, o tempo pra mim parece nada. Não modifica, não intensifica e nem interfere... Só passa. Passa e não leva esse calor que me sufoca, as risadas sinceras e as besteiras que não há como escapar de fazer. O tempo só nos leva. Hoje ele teve calma mas os passatempos tiveram pressa. Quem me dera não ter motivos pra ir embora. Quem me dera mais: quanto eu queria ter motivos pra ficar.
Mas aí eu fui embora. Você foi embora. O problema é que metade de mim veio... Mas a outra metade ficou com você.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Sobre sentimentos sinceros e generalidade.

domingo, 15 de janeiro de 2012
Por favor, um momento de escrita!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Pra variar, detalhes.
domingo, 17 de julho de 2011
Passagem só de ida.
Está decidido.
Em 10 minutos vou levantar da minha cama e tomar um bom banho. Ainda com os cabelos molhados e com uma roupa bem fresca vou caçar minha mala e jogar nela tudo que eu preciso: Biquínis, roupas leves, meu maior casaco, toalhas, protetor solar, coisas básicas de higiene pessoal, uns dois livros e meus bichinhos de pelúcia (sim, tenho 4: Ferdinando, Frigs, Nutsy e Xim). Documentos, dinheiro e comida eu levo na bolsa.
Não deve demorar muito pra fazer isso e logo estarei pegando a saída de Brasília, rumo ao litoral. Qual estado ? Qual cidade ? A que eu conseguir chegar primeiro. O importante é que eu quero brisa, ondas, pele morena e cochilos na rede. Estou morrendo de saudade e mal posso acreditar que logo vou mergulhar no mar, catar conchinhas e subir em pedras no meio da água. Ah, e ouvir aquele barulho maravilhoso e indescritível que só uma praia faz, aquele que eu finjo que a minha grande concha imita.
E à noite vou caçar algum lual pra ir. Ver a lua cheia, linda do jeito que está, iluminando a praia toda. Me divertir muito com meus amigos - que vão comigo, é claro - é o que eu mais quero! Aproveitar que não sabemos quando vamos fazer isso de novo. Aliás, coitados. Já devem estar me esperando. Mas eu precisava vir aqui compartilhar minha felicidade, eles que me perdoem. Certo, vou indo então. Curtir o que a vida tem de melhor pra oferecer!
Yeah, right, como se fosse verdade. Como se eu não tivesse uma prova dificílima amanhã de manhã me esperando. Mas é sempre bom sonhar... quem sabe um dia eu coloco em prática.
Ps: Desculpe-me quem achou que era verdade! Hehehehe
domingo, 10 de julho de 2011
Quem ama, cuida.
Como todo mundo já deve ter visto e ouvido muito por aí, as pessoas são como plantas. Nós começamos com a sementinha do relacionamento (amizade, namoro, família) e temos que regá-la, levar pra tomar sol e tirar as folhas velhas com frequência pra crescer forte e saudável. Acho esse ditado/comparação genial, somos todos plantas!
Aproveitando, o caso é: precisamos cuidar melhor do nosso jardim. Procurar os vasos que contém nossas plantas preferidas e mantê-las sempre perto e num lugar bom, tirar as ervas-daninhas e outras que sufoquem ou prejudiquem as que são realmente importantes e lembrar de sempre cuidar bem daquelas que nos cuidam bem. Aquela árvore linda da família, que dá sombra, frutos e sustenta a rede pra você dormir tranquilo, os vasos grandes e cheios de flores das amizades, que enchem os olhos de beleza e o ar de perfume e alegria, e o canteiro próprio do amor, que pode guardar uma mudinha mirrada e frágil ou uma planta com muitos brotos e flores.
Por isso eu digo, não podemos descuidar de quem gostamos. Com isso não quero dizer que temos que virar babás de pessoas específicas e esquecer o resto, claro que não. Quero dizer que, se for realmente importante pra nós, não podemos deixar de cuidar. Deixar de mostrar preocupação quando não dá notícia por muito tempo, felicidade pela existência e companhia e compaixão nos momentos difíceis.
É algo natural tentar deixar quem a gente gosta feliz. Com presentes simples e ocasionais, quando menos se espera, elogios, recados, telefonemas, dias de fazer nada, conversas, risos... Porque isso nos faz feliz tambem. Por isso sempre tento levar isso na cabeça pra não deixar de cuidar de quem eu gosto.
Já que tocamos no assunto, aposto que você ficou com vontade de ir "cuidar" de alguem que gosta. Eu fiquei e vou lá agora! Hehe.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Passa (?)
sábado, 12 de março de 2011
A hora errada pra pensar
A emoção do agora, as frases-chaves em que pensou e alguma metáfora, rápido! Tudo vai-se encaixando com falhas mas parece tão significantemente bom que só precisa ir pro papel e depois... ah, depois eu arrumo, preencho, estico, mastigo e soletro. Tudo vai sair exatamente como eu pensei, não tem como dar errado!
Tem sim. Porque a pressão de estar atrasada pra algo (como quase sempre acontece) mina sua concentração e, antes de você alcançar o papel ou a tela de postagem abrir, as palavras fogem, o assunto foge. Sua criação e a criatividade amolecem, escorregam e caem de volta pro fundo do bueiro, onde estavam antes da explosão milagrosa.
Esqueça o texto. Outro dia você faz um melhor, sem estar atrasada para nada e com inspiração de sobra.
É, com certeza.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Praia
Mal posso acreditar que estarei na praia daqui a 12 dias.
Ao invés de olhar e sentir tudo isso na frente do computador, sentada numa cadeira de escritório, estarei apreciando de camarote, numa cadeira de praia, de frente para o mar.
Só eu sei como sinto falta de uma praia às vezes.
Esqueça as crianças correndo de um lado pro outro, os velhinhos empatando sua diversão no rasinho do mar, os vendedores e seus muitos produtos e comidas versus você e seu pouco dinheiro e aquelas pessoas desfilando um corpo de dar inveja.
Praia pra mim é areia. Areia fina e branca, grossa e granulada ou molhada e maleável. Areia quente superficial que queima os pés e aquela que fica mais no fundo, que só descobrimos quando enterramos alguém. Uma areia sacana que insiste em grudar em tudo! Mas que serve muito bem pra fazer castelos. Areia de mar, que entra no seu biquíni de um jeito inimaginável e não sai nem com muita lavagem. Areia natural.
Praia pra mim é água. Água do suor que escorre no calor, enquanto você brinca de correr atrás do guarda-sol que saiu voando. É água de ducha, quando você tá saindo da praia, pra tirar um pouco da areia e do sal. E água de côco (pros outros, eu fico com minhas águas de garrafinha) pra hidratar. Água da chuva que cai quando você menos espera mas não te impede de sair correndo pra praia. É aquela imensidão azul, a água salgada que é o mar. Pura e simplesmente água.
Praia pra mim é cor. Roupas soltas e estampadas. Bebidas e comidas chamativas. Liberdade descrita em azul-esverdeado, amarelo-sol e branco-nuvem. Cor de felicidade estampada nos sorrisos, cumprimentos e momentos pra viver. Os clássicos preto, dourado e vermelho, aquelas cores do pecado que só quem foi à praia e tomou sol pode ficar, hahaha. Cores originais.
Pra mim, praia é ser feliz e saber (ou não). É me encontrar na areia, na água e nas cores. É ganhar, construir e viver histórias pra contar. É sentir saudade de casa, mas não querer voltar tão cedo.
Praia pra mim é só raramente, desde que vim pro Centro-oeste. E, mesmo assim, praia é minha paixão.

