quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

#7 Filmes clássicos e clipes de papel

Curiosamente, uma das épocas em que eu mais aprendi sobre convívio social foi durante meu primeiro estágio da faculdade. Eram 5 horas por dia, que eu normalmente fazia à tarde, chegando correndo da UnB depois do almoço e às vezes voltando correndo também, para as aulas da noite.

Não precisa me conhecer muito pra saber que sou tímida, mas naquela época eu era um verdadeiro bichinho do mato. Até hoje fico fascinada com a sorte que tive de ser tão bem acolhida e mimada por todos os meus "chefinhos" da divisão. Não tive a mesma sorte com o estágio seguinte, onde o mundo começou a me mostrar suas garras e dentes, mas é conversa para outra situação.

Acontece que não existe lembrar do estágio e não lembrar de como eu fui arrastada pra fora da minha concha confortável, onde eu só precisava falar com quem sorria pra mim ou me tratava bem (pois é, batendo na porta dos 20 anos e ainda agindo como uma criança assustada, veja só). O lugar e a época onde eu tinha tão poucas responsabilidades profissionais que uma das minhas missões diárias era desenhar num jardinzinho zen que havia na mesa de um dos meus supervisores.

Dentre todas as lembranças divertidíssimas, vergonhosas, felizes e chocantes que eu tenho desses dias, eu sempre penso com carinho na vez em que estava conversando coisas rotineiras com o Diego e eu contei que nunca havia assistido Star Wars ou Senhor dos anéis ou que havia dormido assistindo O Poderoso Chefão. Neste ponto de interesse específico a memória falha, mas o que mais me faz rir é lembrar que a resposta automática deste homem foi encher a mão de clipes de papel e me bombardear com um por vez, reclamando do absurdo que eu tinha acabado de falar.

É das coisas da vida que eu fico feliz de ter vivido, porque foi tão inesperado e ridículo que não tem como não marcar na história como algo a ser contado. Eram dias felizes e eu sabia. Que saudade da "minha" GESAD 01.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

#6 Vó - O bom dinossauro

 Minha vó amava assistir filmes de desenho. Achava tudo uma graça, principalmente quando envolviam animais falantes ou histórias com animais. Eu, como principal parceira da "véia", assistia vários junto com ela e até indicava alguns quando estávamos longe.

Um belo dia ela assistiu "O bom dinossauro" e falou pra minha mãe que eu ia gostar do filme e precisava assistir. Achou tanto isso que me mandou mensagens no whatsapp falando do filme e eu prometi que procuraria. "Está passando no telecine direto", ela disse, mas eu não tinha acesso aos canais pagos e prometi que assistiria quando saísse no Netflix.

O tempo passou e dona Elisabeth assistiu sabe-se lá quantas vezes o tal filme do dinossauro. Sempre lembrava de mim, sempre dizia que eu precisava assistir. Já chegou a me mandar mensagem quando passou acidentalmente pelo telecine e estava transmitindo: "Bru! Começou agora no telecine... coloca aí pra assistir", mas eu continuava sem acesso ao canal, não tinha o filme em outra plataforma e mais uma vez ficava na promessa.

Era 12 de abril de 2019 quando eu descobri que ela estava hospitalizada e o início do fim começou pra mim, sem nem ideia de que teríamos apenas mais 4 meses. Todas as vezes que fiquei fazendo companhia para ela, fazia planos de conseguir baixar o filme na internet para assistirmos no hospital. Nunca deu certo, até porque eu sempre fui péssima para downloads do que quer que fosse.

Quando ela voltou pra casa, nas poucas vezes que consegui pegar um avião para ir vê-la, passávamos mais tempo aproveitando a presença uma da outra, fazendo graça das situações e distraindo sua filha, minha mãe, de tudo que estava acontecendo.

Até hoje não tive estruturas para assistir o filme do dinossauro, mas até hoje lembro de dona vó apenas por ver uma imagem do filme. Não sei se um dia terei coragem de assistir e ainda sinto culpa por ter sido uma promessa em vão, nunca cumprida. É uma lembrança feliz e triste que eu sempre vou guardar com peso e leveza

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

#5 Ed

Noite de eclipse. Eu nunca podia fazer nada, mas dessa vez meus pais deixaram eu ir sentar na calçada da esquina e ver enquanto a Terra escondia a Lua por momentos. Quase vizinhos, o Ed topou me acompanhar nessa e fomos. Ed, que era Rodrigo mas cortou o cabelo engraçado e nunca mais foi apresentado de forma diferente por mim.

Já não me lembro quanto tempo ficamos sentados na calçada aquela noite, mas foi o suficiente pra rir bastante, falar da vida, assistir o eclipse, pintar a ponta do all star dele com carvão e reclamar bastante do colégio (já que apenas uma série nos separava).

Até hoje acho engraçado porque meus pais demoraram bastante pra conhecer o Ed, mas confiaram nele desde o início. Se o Ed estava, a Bruna estava bem. Eclipse na esquina? O Ed vai, então tudo bem. Primeiro show da Bruna? Só se o Ed for com ela. Carnaval de rua? Combinei com o Ed, encontro ele lá. Festa de fim de ano no parque da cidade? Ed dirigindo, tá tudo sob controle.

São tantas memórias com esse meu melhor amigo da adolescência que eu nem me recordo unicamente de uma história, mas sim de uma sensação. E assim foi por alguns anos, até que a vida aconteceu e nossos caminhos se desviaram um pouco, então mal encontro o Ed mais.

Independentemente, acho que não importa quanto tempo passe, Ed sempre foi e sempre será tranquilidade, confiança e risos (e um pouco de revolta). Pra sempre Ed, da sempre Tampinha.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

#4 Mimosa

Sábado em um final de semana qualquer, durante algum período da primeira metade da faculdade.

Por qualquer motivo, pareceu uma boa ideia ir passar a tarde na chácara da família da Lili e tomar um banho no riacho, já que estava em época de seca e muito calor. Carlinha, Liliane, Jéssica, Maria Jéssica, Sarah e eu. De todas, claramente eu era a que menos tinha noção de natureza.

O dia teve vários pontos altos e baixos. A viagem para chegar na chácara, as piadas e histórias interessantíssimas e sem fim de Carlinha e Majeh, o riacho tão seco que mal dava para se banhar, as fotos tiradas com câmera digital, o brigadeiro de fim de dia feito pela Jéssica. Apesar de tanta coisa ótima de guardar, a lembrança fixa na minha memória é sobre o pasto.

Saindo da casa em direção ao riacho, o caminho mais curto passava no meio do pasto de algumas vacas. Lili disse: "andem devagar, sem pressa, não olhem pras vacas e não tenham medo". Sim, claro. Fomos em fila espaçada. Sendo a penúltima a passar, lembro claramente de estar mais preocupada em não pisar em cocô de vaca do que de realmente me cuidar com elas.

O caso é que provavelmente meus desvios descuidados chamaram a atenção de uma das donas do pasto, que resolveu passar na minha frente. Momento de tensão, corpo congelado, olhar fixo nos chifrinhos miúdos aquela vaca tinha. Do outro lado da cerca começam as instruções de Liliane: "Bru, FICA PARADA! Ela vai sair daí jajá". Enquanto eu tentava me lembrar como respirar sem fazer barulho, minhas amáveis colegas de turma (já em território seguro) começaram a fazer barulho para chamar a muralha que tinha se colocado entre mim e o riacho.

Foram longos e poucos segundos que hoje em dia me trazem risos leves, transformando em ridículo o pico de adrenalina que precisei controlar para seguir os poucos metros até a cerca antes de começar a rir como uma sobrevivente. Esse é o tipo de lembrança que nem parece minha mas eu fico muito feliz por ser!

terça-feira, 15 de setembro de 2020

#3 Novos gostos

Era um restaurante de sushi que eu nunca tinha ido. Enquanto Pedro falava comigo, eu estava dividindo minha atenção entre a conversa, o cardápio desconhecido e o fato de que eu nunca tinha provado nada da culinária fria japonesa que não fosse de salmão ou de camarão.

Era meio vergonhoso, visto que tinham vários peixes no cardápio que eu nem sabia que eram usados pra fazer sushi. Por fim, optamos por pedir uma barca pequena e super variada (e eu me preparei para ficar com fome).

Conversa vai, conversa vem. Nunca vi alguém tão indignado por acertarem seu signo de primeira e mal imaginávamos que eu seria uma das poucas que conseguiria em algum bom tempo.

Chegada a barca, tive coragem de dizer que só gostava de salmão e camarão.

Acho que nunca vou esquecer do Pedro me dando uma lição que ele talvez nem saiba que até hoje afeta meus hábitos. Ele disse: "Eu normalmente não gosto de atum, mas eu nunca provei o atum daqui". E comeu. E não gostou.

Não me lembro se eu cheguei a provar o atum. Não me lembro nem qual era o restaurante. Mas eu lembro dessa frase. Eu me lembro muito.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Lunardi Doces

Todas as vezes que eu me lembro de 2015 e penso na época em que comecei despretensiosamente a fazer doces (bombons à época), me lembro da luta por um nome e uma logo pro meu "futuro negócio".
Lembro de uma vez em que gastei um bom tempo da xu e de dona mãe enquanto a gente quebrava a cabeça se deveria, ou não, ter uma referência a gatos no nome e na imagem da empresa. A ju desenhou pelo menos umas 3 opções diferentes e incríveis, com a delicadeza que ela sabe ter quando há papel e lápis em suas mãos.
Lembrar disso me faz sorrir e ter a certeza de que não havia melhor nome ou sequer outro possível que não envolvesse o nosso orgulhoso Lunardi.
De 5 anos pra cá não fui só eu virando noites, inventando coisas novas e aceitando desafios sempre que pude.
De 5 anos pra cá fomos mamain e eu indo até altas horas da noite juntas, fomos xu e eu vendendo bombons em cima de caixas de papelão e depois em cima de mesas, fomos nós 3 nos organizando, uma pra cada lado, pra que as encomendas pudessem sair.
Não sei o que seria de mim (e da Lunardi Doces) sem dona Miriam e sua habilidade com massa de biscuit e conhecimento de colorimetria. Nem imagino quantas vezes não teria sido possível terminar um bolo a tempo da entrega se não fosse ela se disponibilizando para correr a comprar algum item que eu esqueci que precisava. Tenho certeza que muitas pessoas teriam ficado sem bolo se a xu não fosse a melhor entregadora do mundo, criativa em todos os momentos e salvadora da pátria em situações onde mamain não pôde ajudar. Sem contar que com certeza eu teria desistido lá no início se não fosse o apoio constante dela e todas as vezes que me indicou por aí.
Lunardi Doces é o único nome possível porque não existiria Doces nessa família sem essa combinação de nós 3. Que sorte que eu tenho de ter uma mãe e uma irmã que me apoiam tanto. Que sorte que eu tenho de poder contar com elas. Que sorte que eu tenho.
Obrigada, mamain! Obrigada, xu! Isso nunca teria sido uma boa e longa caminhada sem vocês!

segunda-feira, 27 de julho de 2020

#2 Viviane

Existia no Rogacionista, a escola que frequentei por mais tempo, uma professora que se esforçava para tornar a literatura algo vivo e interessante. Ela cativava os alunos com poesias declamadas com emoção, resumos de livros clássicos explicados na linguagem coloquial, seus all stars como uniforme e uma paixão por questões erradas.
Em minha época de estudante, não entendi o que significava quando a professora precisou diminuir a quantidade de aulas que dava por semana. Isso fez ser bem difícil de entender o motivo pelo qual ela estava nos deixando no fim daquele semestre, já, tão rápido. Não impediu a nós, alunos e fãs, de fazer questão de uma despedida em grande estilo.
Já não me lembro o dia da semana, mas posso apostar que era quinta ou sexta-feira. Um grupo de estudantes que representava os alunos e fãs, no qual eu estava enfiada, saiu coletando folhas e mais folhas de papel A4 nas turmas onde Viviane dava aula. Eram cartas, desenhos, marcas, histórias e amor feito à mão. Até o prof. Aguinelo fez uma carta! Nós, representantes com boas notas e tempo livre justificável, juntamos tudo com fita adesiva, formando um imenso rolo.
Na hora da troca de aula, Viviane estava estrategicamente na sala do projetor. Ao sair, escoltada ao topo da escada como uma rainha, reparou as dezenas de alunos fora de suas salas, margeando o pátio no andar de cima e uma pista formada por cartas no térreo. Viviane foi aplaudida de forma alta e constante enquanto descia os degraus (incrédula? Não lembro). Lembro da emoção de estar ao final da pista, entregando uma flor de papel feita pelos meninos da sala e vendo a Andressa entregar um pé do seu próprio all star todo customizado.
Eu lembro da felicidade de Viviane ao ver uma carta de seu amor de infância e de como ela andou com a graciosidade de quem converteu centenas de almas aos livros. Eu lembro dos rostos das crianças, explodindo de felicidade e um pouco de pesar por estar se despedindo de uma das professoras favoritas do colégio. Foi mágico.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

#1 Amanda

Um pouco antes de se mudar pra longe, Amanda salvou uma música no meu Spotify e disse "essa é pra você lembrar de mim. Eles são canadenses e eu vou estar no Canadá, aí quando você escutar, vai lembrar de mim".
A verdade é que eu nem me lembro qual música era essa e eu tenho quase certeza de que eu quase nunca escuto ela, porque não é muito meu estilo.
Mas aí eu tenho WALK THE MOON. E Carlye Rae Jepsen. E músicas de Pitch Perfect. E Cake by the Ocean. E pelo menos mais 10% das minha músicas do Spotify que tem total influência de Amanda.
E eu tenho Gravity e a lembrança de Amanda pigarreando para limpar a garganta e conseguir cantar a música a plenos pulmões, enquanto nós estávamos andando no carro dela pela asa sul. Estávamos indo levar zeldinha e bebêjork para tomar banho? Comer alguma coisa em algum lugar? Não me lembro. Mas me lembro bem dela cantando e de como eu gostei da música e do quanto eu enchi o saco dela porque lembrava um crush que ela tinha tido alguns meses antes.
Eu adoro essa memória.

Livro de memórias

Eu entendo o medo humano de cair no esquecimento e sofro constantemente com essa possibilidade. Acho que por isso, eu quero que as pessoas saibam que elas construíram memórias em mim ou que elas são parte de boas (ou más) memórias minhas. Elas serão eternas comigo, enquanto eu lembrar.
Como eu tenho tanto medo do esquecimento quanto de esquecer, resolvi começar uma série de textos para sempre lembrar. Delas e de mim, elas de mim, eu delas.
Serão memórias aleatórias e escritas com o coração, do meu jeitinho. Espero que gostem.

sábado, 3 de agosto de 2019

Tchau, vó.

91 anos é tempo demais pra se viver.
Nem a pessoa mais persistente e teimosa que eu conheço quis chegar nessa marca, então cá estamos nós vendo ela partir a um dia do seu aniversário.
Dona Elisabeth foi criança espoleta, filha bem criada, irmã bem parceira, professora dedicada, tocadora de teclado - e piano (e órgão) -, cristã devota, esposa, mãe de um e depois de dois, deficiente física com bengala, responsável pelo coral da igreja, dona de cães, avó coruja, cozinheira de nhoque e miojo, paulista, nordestina, candanga, meio surda, desbocada, fazedora de crochê, master separadora de peças de quebra-cabeça, reclamona que só ela, professora de artesanato, viajante em prol de palavras cruzadas, mandante na organização dos potinhos na cozinha, dona dos cabelos mais bonitos (mas nunca cortados do jeito certo), a doida do aparelhinho de pressão e até bisavó.
Dona Elisabeth foi muitas muitas coisas mas eu sei que cada um de nós vai ter suas próprias lembranças especiais no coração, com aquela característica mais marcante. Porque se teve uma coisa que Dona Elisabeth foi é cativante. E todo mundo sabe que tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
O eterno físico dela acabou, mas ela vai viver pra sempre em cada um de nós.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Ela

Ela sempre foi aquela que aparecia de repente só pra dar um oi e depois ia embora. Era dessas que chegava na casa de alguem querido sem avisar, só pra entregar uma surpresa gostosa. Ela sempre queria que todos experimentassem sua última invenção e nunca cobrava enquanto não tivesse aprovações suficientes (às vezes nem depois). Ela sempre tentava ter um elogio para oferecer ou alguma outra coisa que fizesse sua companhia sorrir.
Ela falava em corações quentinhos, abraços apertados, mãos dadas e arrepios. Ela brincava com as palavras e se enrolava, sem saber se ainda estava falando sobre o mesmo assunto ou pelo menos sobre algo importante. Ela tentava rir de si mesma, mas às vezes ficava à beira das lágrimas de vergonha. Ela se cercava de pessoas que admirava e gostaria muito que elas soubessem disso, mas nem sempre conseguia se expressar.
Ela queria ter habilidades que não tinha e virava a pessoa mais feliz do mundo quando alguem dizia que ela atendeu as expectativas. Ela tinha como objetivo jamais desistir de algo que realmente queria. Ela tinha mãos inquietas. Ela tropeçava sozinha, perdia o equilíbrio quando estava parada e trombava com objetos em todos os lugares, mas nunca deixava passar a oportunidade de seguir uma linha reta, pé ante pé. Ela era viciada em pisar em folhas secas.
Ela acreditava em ruas tranquilas, papos sem fins, amizades para sempre, conversas felinas e olhos brilhantes. Ela colecionava moedas bonitas, livros favoritos e cicatrizes com boas histórias. Ela tinha medo de se frustrar, então evitava fazer planos e economizava em seus sonhos de vida. Ela sonhava muito quando dormia... quase nunca eram coisas que faziam sentido, mas muitas vezes faziam rir (a ela e aos amigos). Ela gostava muito de rir.
Tantas coisas sobre ela que são tão sutis. Tantas coisas sobre ela que passam tão despercebidas. Tantas coisas sobre ela que ela mesma não percebe. Enfim... todas as coisas sobre ela que são justamente o que a fizeram ser como é.

quarta-feira, 2 de março de 2016

É quase simples

Eu não quero acordar, mas o despertador já tocou.
Eu não quero levantar da cama, mas preciso sair.
Eu não quero comer, mas preciso me sustentar em pé.
Eu não quero dirigir, mas preciso chegar ao trabalho.
Eu não quero ouvir música, mas preciso não pensar um pouco.
Eu não quero trabalhar, mas preciso receber o salário.
Eu não quero almoçar com a equipe, mas preciso socializar.
Eu não quero voltar para o escritório, mas o trabalho ainda não foi finalizado.
Eu não quero voltar pra casa, mas tenho tarefas para fazer.
Eu não quero dormir, mas preciso acordar amanhã.

E no fim, não é uma birra... é só uma falta de vontade e de perspectiva tão profundas que nenhuma motivação é suficiente. É só mais um daqueles períodos escuros em que a luz no fim do túnel oscila e a força de vontade pra continuar quase se esvai.

É só um dia ruim... seguido de outro e de outro.

Mas uma hora melhora. Uma hora acaba.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Talvez uma droga

O corpo inteiro parece conduzir uma corrente elétrica, resumindo bem.
O coração bate forte e, se eu me concentrar, consigo sentir a pressão batendo nas pontas dos dedos. Não sei se é o frio mas não paro de tremer... dos pés à cabeça. De repente percebo como estou completamente ciente de todos os meus movimentos e de como as luzes são claras. Não consigo dormir mais, mesmo que tenha fechado os olhos por apenas uma hora. Não devo ter sonhado com nada (pelo menos não lembro de nenhum sonho) mas parece que não me mexi nem meio centímetro durante o sono. Pensamentos passam pela minha mente como carros numa rodovia... mal consigo ver a cor de cada um. Sinto como se fosse explodir.
Isso sou eu sob efeito de 3 latas de energético, depois de uma noite comum de balada com as amigas. Não misturei com nada, não bebi nenhum refrigerante e nem água.
Nunca teve um efeito desses.
Eu me sinto bem.
Mas talvez eu não deva fazer isso de novo... realmente acordei achando que ia explodir.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Cortar laços

Sem mais contatos. Sem mais abraços. Sem mais confortos. Sem mais ciúmes. Sem mais brigas. Sem mais "bom dia" e "boa noite". Sem mais cinema no meio da tarde. Sem mais mensagens no meio da noite. Sem mais planos. Sem mais seriados embaixo das cobertas. Sem mais experiências na cozinha. Sem mais declarações. Sem mais músicas compartilhadas. Sem mais campeonatos pra assistir. Sem mais gordices. Sem mais cócegas. Sem mais dividir a cerveja. Sem mais "eu te amo".
Sem mais nem menos, do nada.
E eu só queria 100 mais vezes tudo isso...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Um pequeno comentário/desabafo sobre minha última leitura.

Mais uma vez "órfã". É... Acabei de terminar mais um livro. Dessa vez foi It, de Stephen King.
É um livro intenso, instigante, deliciosamente descritivo e surpreendente.
Eu, que nunca tive vontade de ler Stephen King, babei em cima desse livro por semanas até finalmente ganhar de presente da minha irmã.
Terminar ele foi como levar um soco na boca do estômago.
Foram 1102 páginas que me acompanharam por quase um mês. Um mês em que eu não consegui passar mais de 10 minutos sem pensar na história, mesmo tendo que passar até dois dias sem poder tocar as páginas e retomar os capítulos.
Pennywise foi parte de mim. Eu tive medo de ouvir sons vindo do ralo e de sonhar com o sorriso sangrento de palhaço dele. Quase senti em mim a Coisa passar seus dedos brancos, podres e  enluvados. Temia acordar e perceber que meu livro (que sempre passava as noites embaixo do travesseiro) estava desmarcado ou manchado ou com uma foto que se moveria, se eu parasse para olhar.
Vou confessar que tive que ler as últimas páginas próxima de outras pessoas, com receio de ver alguma coisa que me causaria
(pesadelos à noite)
arrepios.
Voltas e reviravoltas depois, tudo está acabado. A tartaruga não pôde nos ajudar mas Bill Gago, Bevvie, Monte de Feno, Boca de Lixo Tozier, Eds, Stan e Mickey sim. SIM, SENHOR. SIIIM, SENHOR.
Espero que a tinta não se apague na minha memória. Foi uma história e tanto essa que me contaram sobre uma pequena cidade do Maine chamada Derry e sua propensão a acontecimentos violentos e macabros.

Ps: pequenas influências da narrativa nesse texto. ♡

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Compras de natal


Ontem eu levei minha avó no shopping para ela comprar algumas coisas que queria. Esse fato não teria rendido post algum se não fosse por algumas coisas que aconteceram ontem.... comecemos por dois fatos importantes: fato número 1: minha velhinha tem problemas para se locomover e no caso de um shopping, com tanto lugar pra ver e distâncias consideráveis, ela precisa de cadeira de rodas. Fato número 2: a cadeira dela não é tecnológica e, portanto, tem que ser empurrada.

Fatos ditos, vamos aos acontecimentos: estávamos na vitrine de uma loja de sapatos, vendo os modelos que ela gostava para pedir ao vendedor. Minha avó é meio surda, o que faz qualquer pessoa ter que elevar um pouco a voz para falar com ela, e o vendedor não percebeu ou não quis fazer nada a respeito por educação, o que me levou a ficar "traduzindo" tudo que ele falava. Em poucos minutos uma senhora que estava passando chegou perto da gente e elogiou a situação porque "hoje em dia é difícil os jovens terem tanta paciência com os mais velhos"... agradeci, minha avó ficou orgulhosa, a senhora desejou boas festas, continuamos a escolher os sapatos e eu comecei a pensar.

Pouco tempo depois paramos numa loja de óculos para eu escolher um para mim. O atendente foi super gentil e útil e em alguns minutos eu já tinha decidido qual óculos levaria. Depois de tudo pago, notinha e óculos na mão, ele se apoiou na bancada e disse que, nos vendo pra cima e para baixo, não pôde evitar lembrar da avó dele, que não vê há 3 anos porque mora em Minas. Contou que ela ficou doente e que estava quase vindo buscar ele porque ele nunca vai lá. Disse que bateu uma saudade imensa e prometeu que vai dar um jeito de ir visitá-la nas próximas férias. Saímos de lá e comecei a observar... várias pessoas ficavam nos olhando. Algumas obviamente rindo (eu estava usando uma sacola gigante como "mochila" porque não conseguia carregar na mão enquanto empurrava a cadeira de rodas) mas outras sorrindo levemente para nós.

Voltando para casa e acabei esquecendo do assunto mas agora me veio na cabeça... quão errado é as pessoas se impressionarem com neta e vó passeando pelo shopping, conversando e apontando para vitrines? Por que eu mereço elogios por ter paciência com a minha vó? Será que o vendedor realmente vai visitar a velhinha dele? Por que tantas vezes se vê idosos sofrendo maus tratos?
No fundo, é como minha vó fala: "velho é igual criança", precisa dos mesmos cuidados, atenção e ajuda. Por que, então, tem tanta gente que ama crianças mas não suporta passar duas horas com um idoso, até mesmo sendo do próprio sangue? O tempo vai passando cada vez mais depressa e muita gente acaba esquecendo que um dia nós que seremos os idosos, nós que precisaremos de ajuda para levantar, para cozinhar, para entender a nova tecnologia e de muito carinho porque nos sentimos sozinhos.

Assim como qualquer outra pessoa, um idoso quer alguem para conversar às vezes. Que tal ir visitar seus avôs? Mandar uma carta, ligar, mandar um presentinho? Para os que infelizmente não tem mais essa geração da família, por que não ir a um asilo talvez e adotar um vovô? Eles tem tantas histórias para contar... no fim, mais do que uma boa ação, será  um ato de amor e humanidade de aquecer o coração.
Feliz Natal, gente. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Algo sobre comunicação e sinceridade

Algo que eu nunca entendi: por que as pessoas fazem perguntas se elas não querem ouvir a resposta? Por que pedem para ouvir a verdade se não vão acreditar? E mais: por que quem responde, mente? Por que ainda há gente que diz "não é nada" ao invés de dizer "não quero falar sobre isso"?
Você sabe do que estou falando.
Estou falando de quando perguntamos como foi o dia da outra pessoa só por educação mas não prestamos atenção. De quando nos explicam o porquê do atraso e nós continuamos achando que a pessoa demorou porque quis. De quando ainda nem começamos um trabalho para ser entregue dali a uma semana mas dizemos que já estamos quase acabando.
Do que temos medo? De sermos taxados de mal educados? De que briguem com a gente? Por quê? Nossos pais não nos ensinaram a dizer a verdade? Então por que crescemos aprendendo a mentir? É um mecanismo de proteção básico, eu entendo. Todo mundo mente ou omite mas não é algo que deveria ser incentivado. 
A maioria dos conflitos nascem da falta de comunicação, já perceberam? Quando você não diz o que alguem fez de errado, como a outra pessoa pode consertar? E se você quer encontrar alguem mas não avisa, como essa pessoa vai adivinhar? Muitas vezes nós nos guardamos atrás do orgulho ou do medo da repressão e causamos uma falha na comunicação.
Não temos que ter medo das consequências dos nossos atos, e sim pensar antes de realizá-los. Assim como não adianta achar ruim alguma coisa sobre a qual se teve a oportunidade de opinar mas não quis... Mas insatisfação é um assunto bem maior que não cabe a esse texto.
O fato é que preciso deixar meu incentivo aqui: pratiquem e preguem a sinceridade. Não a má educação, mas a verdade. Se não quiser a resposta ou não for acreditar nela, não pergunte. Caso chegue a perguntar e se arrependa, diga que não quer mais saber e esqueça (de verdade). E, principalmente, se te fizerem uma pergunta e você não puder ou não quiser falar a verdade, apenas diga que não pode/quer falar sobre isso.
Cidadania Melhorar a comunicação é um dever de todos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Agradecimentos

Não tenho certeza se algum dia na vida terei coragem, imaginação e força de vontade suficiente para escrever um livro mas às vezes tenho vontade de fazê-lo apenas por um motivo: agradecimentos.
Se fosse começar um livro, faria questão de escrever em um caderninho todas as pessoas que me ajudaram a fazer da minha obra, um trabalho finalizado. Inicialmente e desde já penso primeiramente em agradecer a todos que me ensinaram e incentivaram a ler. Ter tido a oportunidade de descobrir o poder maravilhoso da palavra escrita - pensada, trabalhada, redigida, repensada e confirmada - me fez ser quem sou hoje.
Mesmo meu currículo literário ainda sendo curto perto dos de muitas pessoas, fico feliz e satisfeita de olhar na minha estante e ver tantos livros incríveis. Tenho certeza de que não chegaria ao dia de hoje se não houvesse me espelhado em tantos personagens diferentes, carregados de sabedoria e pontos de vista distintos, frutos das cabeças de escritores que nunca conheci de fato mas que eu adoraria dar um abraço e apenas agradecer.
Tenho lembrado muito tambem das minhas queridas professoras do ensino médio, que me inspiravam a procurar cada vez mais livros e autores, passando por cima de preconceitos bobos como estilo de escrita, tipo de texto, autores desconhecidos e finais feitos. Ainda antes disso, como não agradecer às professorinhas da escolinha, que conseguiram enfiar na minha cabecinha (loira à época) todo o alfabeto e as milhares de palavras que se podia formar com as letras? Sem isso meu agradecimento jamais aconteceria.
Combustível, aprendizado e incentivo. Infelizmente gosto de ter todos os livros que li mas me faltam dinheiro e espaço para isso. Nem deveria precisar mas nunca é demais lembrar que eu não teria lido metade do que li se não fossem as pessoas maravilhosas da minha vida que me presentearam com livros. Fossem livros aleatórios, preferidos, detestados, indicados por conta de filme ou carregados desde muito tempo para serem passados como herança. Eu gostaria que todas essas pessoas soubessem o quanto sou grata.
Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por palavras e tento conhecer novas todos os dias. Mesmo assim não conheço nenhuma maior e que reflita mais o que quero dizer do que "obrigada". À você que ensinou, incentivou e me disponibilizou livros, à você que escreveu, publicou, me enviou textos ou me deu motivos para escrever: você fez parte da minha formação como pessoa e hoje meus agradecimentos são para você. Muito obrigada!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Confissões de uma aspirante a jogadora

Posso dizer que já tentei praticar alguns esportes. Comecei lá no início da vida com o queridinho Judô. Não me lembro direito mas minha mãe diz que eu adorava essa luta e era até muito boa para a idade que tinha (opinião de mãe, vamos relevar...). O tempo passou e eu tambem passei por Futsal, Basquete e Vôlei (minha primeira grande esperança! Eu jogava como ponteira e conseguia saltar uma altura razoável para os meus queridos 162cm). Realmente me divertia praticando esses esportes no colégio mas nunca fui grande coisa, ainda mais se comparada à minha irmã - uma esportista nata, devo dizer... Sempre a mais esforçada e muitas vezes a líder do time, mas ela é tema para outro texto.

Minha lista continua com a natação: desde poucos anos de idade até poucos anos atrás era minha maior fonte de medalhas e esforço físico. Água é minha eterna paixão e eu me sentia muito bem numa piscina. Numa dessas braçadas da vida eu acabei conhecendo o pólo aquático... Amor à primeira vista. Entrei para o time do colégio para "fazer volume" e acabei como segunda artilheira do campeonato. Só abandonei as piscinas quando elas sumiram da minha vida e a saudade que eu sinto desse esporte é tão grande que até das câimbras eu lembro com carinho.

Segue o jogo... De volta para as quadras, conheci o handebol. Linhas, metragens, armadoras espertas, um raio de jogadora chamada pivô para atrapalhar a vida de todos e a bola... A amarelinha que passava de mão em mão mas nunca parava na minha. Uma dificuldade genética: minhas mãos são minúsculas! Fiquei feliz da vida quando conheci a H50 e consegui me adaptar à gordinha H1 mas a H2, geralmente usada, me escapa como uma bola de basquete em mãos normais. Não dei o braço a torcer e me mandei pro gol... Ninguem mais me tirou de lá.

Normalmente as pessoas acham legal quando digo que gosto de handebol e jogo sempre que posso mas invariavelmente fazem caretas e me chamam de louca quando digo que sou goleira. "Você tem que ter algum problema pra conseguir abrir bem os braços quando vem uma bola diretamente na sua cara", "Você bateu a cabeça antes de tomar essa decisão, né?", "Não tinha posição melhor pra você escolher?", "Goleira? Ah, vá! Olha o seu tamanho!" e tantas outras perguntas e afirmações interessantes. O que posso dizer? Eu adoro aquela ardência leve e a satisfação instantânea que bate logo depois de defender uma bola. Mesmo machucada e sem opções de colaborar mais ativamente com o time, eu continuo querendo estar lá.

Enfim... Tantos esportes, tantos anos,  tantas diferenças e eu aqui, parada. Quero e preciso voltar a praticar alguma coisa. Qual será a próxima tentativa? Algo individual? Algum time? Algum novo amor? Jamais saberei enquanto não procurar. E enquanto não arranjo tempo e disposição para isso... Vamos para a academia.

domingo, 30 de setembro de 2012

Dão-se conselhos e opiniões.


Preferência por trabalhar com vontades e quereres mas não há distinção de outros tratamentos. Atendimento por meios telefônicos, eletrônicos ou pessoalmente. As sessões podem ser individuais ou com acompanhante especial (que pode estar parcial ou totalmente por dentro do assunto em questão), exceto céticos e intolerantes. O pacote inclui opcionais como ombro amigo, almofadas fofas para serem socadas, água gelada à vontade, abraços consoladores e cafuné. O tempo para desabafo e/ou explicação do problema é livre e pausas para lágrimas e gritos não contarão como adicional. Disponibilidade total para ouvir pormenores e paciência grande para dramas que pareçam essenciais (mesmo que não sejam e o contratante saiba disso). Atendimento a domicílio ou em locais à combinar.

Trata-se de um atendimento personalizado. As sessões são pessoais e intransferíveis - se outra pessoa for no lugar do contratante as informações serão consideradas duvidosas, correndo o risco de tambem serem consideradas fofoca, e não haverá conselho nem opinião conclusiva direta. A sessão pode ser remarcada de acordo com a necessidade do contratante e no número máximo de 3 vezes. No caso de perda de sessão, deve-se falar diretamente com o contratado.

Aconselha-se a procurar o atendimento apenas pessoas realmente interessadas em receber um conselho ou uma opinião. O objetivo das sessões é chegar a uma conclusão e oferecê-la, não impô-la. Em caso de teimosia, a decisão de continuar ou não com o atendimento fica nas mãos do contratante.

IMPORTANTE: Tratam-se de conselhos e opiniões baseados em relatos, não há nenhum tipo de parecer médico. Tudo é feito com carinho, dedicação e boa vontade, visando o bem do contratante.

Em outra palavras... Tô aqui se precisar, viu? Pode contar comigo! Qualquer coisa, me liga.