quinta-feira, 27 de setembro de 2012

As três


Cortinas abertas, telhado exposto, diferentes pontos de vista. As minhas 3 queridas: a Eterna, a Fuga e a Escondida. Amigas, companheiras, confidentes e sempre sinceras... Não há um dia que eu não sinta saudades delas. Cada uma a seu modo, todas sempre estavam lá comigo e para mim. E hoje eu escrevo porque bateu a saudade. Veio aquela vontade louca de tê-las todas perto de mim de novo. Ah, as minhas preciosas janelas...

Lembro como se fosse agora... Mesmo com cortinas e telas, eu sempre podia ir longe, vagando pelo céu azul ou sendo levada pelas gotas de chuva. Tantas lembranças! Tantos momentos! Ah, como ainda é fresco na minha memória: de manhã eu corria para a Eterna, para saborear o nascer-do-sol e conseguir decidir se o dia que me aguardava seria quente ou frio - inúmeras foram as vezes em que eu não soube interpretar bem; de tarde eu me acomodava no computador e virava a cadeira para a Escondida... Pequena e quebrada, dificilmente ficava aberta mas ainda assim era a mais requisitada para iluminação; e à noite eu juntava meus fones de ouvido, algum edredom bem fofinho e catava o travesseiro mais próximo, com cuidado abria a Fuga, tirava a tela e me instalava no telhado com todo o sentimento que eu conseguisse carregar. Ah, como eu sinto falta!

A mordomia de pendurar a rede e ler algum livro tendo a Eterna como plano de fundo, a calmaria de escrever textos, comer sushi ou apenas tirar um cochilo olhando as estrelas e o alívio de abrir a Escondida e fazer as unhas ou esquentar os pés nos riscos de luz que formavam no chão. Sem contar que, durante o sono, ainda podia aproveitar o vento que entrava por alguma das queridas janelas. Não há palavra que defina melhor esse meu sentimento do que a clássica "saudade".

Pode-se dizer que eu sempre tive o sonho de morar num "sótão" mas esse lugar que eu chamava de quarto até pouco mais de 3 meses atrás era simplesmente melhor que o sonho. Valia a pena o calor, o frio, o carpete molhado e o teto baixo. Valia a solidão e a falta de privacidade. Valia até todos os problemas que já apontaram no meu quarto. Pra mim aquele era meu pedacinho de paraíso e meu primeiro sonho infantil realizado, algo que nunca esquecerei e ainda vou sentir falta por um boom tempo. Meus maiores agradecimentos, claro, para a Eterna, a Fuga e a Escondida, minhas queridas e preciosas.

Ps: Acho que é a primeira vez que eu anexo uma foto minha na postagem mas é só porque ela foi basicamente minha inspiração para esse texto. (Essa é a Fuga)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Parecia...

Não, não éramos. Talvez já tenhamos sido... No fundo não importa o que, pois nunca assumimos. Sempre fugimos de rótulos, o que facilitava a furtividade dos nossos olhares. Talvez por isso estar com você é como voltar pra casa: a familiaridade do caminho me permite procurar meus detalhes favoritos na paisagem. Nesse caso a minha paisagem são seus gestos, sorrisos e palavras. Tão vivos na minha memória que eu poderia descrever como se desse um endereço. Fazer o que, sou detalhista...

Sou detalhista a ponto de pensar nos segundos e esquecer as horas. Mas, lá no fundo, o tempo pra mim parece nada. Não modifica, não intensifica e nem interfere... Só passa. Passa e não leva esse calor que me sufoca, as risadas sinceras e as besteiras que não há como escapar de fazer. O tempo só nos leva. Hoje ele teve calma mas os passatempos tiveram pressa. Quem me dera não ter motivos pra ir embora. Quem me dera mais: quanto eu queria ter motivos pra ficar.

Mas aí eu fui embora. Você foi embora. O problema é que metade de mim veio... Mas a outra metade ficou com você.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre sentimentos sinceros e generalidade.


Hoje eu estava pensando em como as coisas estão com essa nova era de mensagens ilimitadas (não é propaganda de nenhuma empresa de telecomunicação então não citarei nomes), redes sociais e generalização dos sentimentos. Não vou começar com radicalismos e frases que todo mundo já cansou como "eu te amo não é bom dia" mas é mais ou menos por aí o negócio, sabe ?

Não sei você, mas às vezes eu sinto dificuldade em acreditar na sinceridade dos sentimentos das pessoas. Não estou chamando ninguém de falso, longe disso! Mas sabe quando é algo tão generalizado que você não sente que é realmente uma coisa especial ? Ou quando até parece de verdade mas acaba de repente e logo tem outra pessoa (completamente nova ou desconhecida) recebendo o mesmo tratamento que antes era apenas dispensado a você ?

É, é bem ruim. Dá uma angústia no coração e deixa as pessoas cada vez mais desconfiadas, confusas e cercadas de amizades superficiais ou até profundas, mas com prazo de validade.
Repetindo: não quero ser radical. Não digo que temos que ser melhores amigos de todas as pessoas que aparecem na nossa vida e criar rancor se de repente elas mudam ou começam a preferir outros amigos, com certeza não! Na verdade, quero dizer o contrário, sabe ? Amigos são legais! De todos os tipos, idades e com qualquer sentimento envolvido.

Mas é só que as coisas deixam de ser especiais ou únicas quando começa a ser igual pra todo mundo. Por isso que, dos amigos, só alguns são melhores e normalmente só namoramos uma pessoa por vez. Porque elas se tornaram especiais por algum motivo, elas se destacaram entre os outros e ficou mutuamente decidido que é "eterno enquanto dura" ou algo tão bonito assim.

Eu sou fervorosamente a favor dessa filosofia de não fazer ao outro o que não quer que façam a você e além disso, fazer o que quer que façam! Reciprocidade é algo sensacional! E por isso eu nunca digo a alguém que gosto da pessoa se não for verdade, evito ao máximo dar falsas esperanças e peso o valor das palavras quando envolvem sentimento.

Pra fechar? O estudo do clichê: Amor não é bom dia, boa noite e nem pronome de tratamento (exceção para namorados), conforme-se e pare de confundir as pessoas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Por favor, um momento de escrita!

Sinto falta de escrever. De verdade.

Escrever é algo que me alivia e funciona pra mim como um modo de colocar os pensamentos pra fora, pra ter mais espaço na cabeça. Quando escrevo posso abordar qualquer assunto, mesmo que fuja um pouco da coerência. Mas os pensamentos não são coerentes... eles não seguem bem uma linha de raciocínio. Ou será que sim e eu só não sou normal?

Enfim, o que digo é que escrever não é mais questão de hábito - já virou uma necessidade. Eu escrevo quando posso e onde posso mas ultimamente meus pensamento têm sido inconclusivos e revoltantes e não tenho tido nem paciência pra lidar com eles. Logo, tenho guardado inconclusões e frustração comigo.

Sou uma pessoa que gosta de respostas. Sim, não, vamos, não vamos, tenho certeza, começa tal hora, eu tenho que ir por isso, eu não fui porque não quero/não gosto, eu quero, eu não fiz isso. Simples, rápido, prático e indolor. Enrolação me tira do sério. Falta de resposta me irrita. Então, quando nem eu mesma me respondo, pode-se imaginar a situação.

Sinto falta de dominar meus assuntos e ter certeza nas situações. Mesmo que eu nunca tenha sido muito objetiva ou tivesse pouco foco, eu pelo menos me resolvia. Agora eu só tenho incertezas e nenhuma respostas concreta. Estou por um fio de entrar em curto-circuito e a melhor saída que tive foi escrever. Como não me cabe no momento falar dos meus pensamentos por não saber como, pelo menos estou discorrendo sobre como pensá-los. Ah, e tô nem aí pra linha de raciocínio.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Pra variar, detalhes.

Os detalhes são o todo para quem sabe trabalhar com eles. Ou para os exagerados por natureza. Nessa vida tudo vem de um pequeno começo. Nada vem do nada. Ninguém nasce grande, forte ou importante (tirando herdeiros de ricos e famosos, é claro).
Os pensamentos, as ações, os grandes feitos, os sentimentos, os laços e tudo o mais são adquiridos ou desenvolvidos. Nós temos a benção e a maldição de fazer o que conseguirmos com os nossos dias e a nossa vida. Nos cabe o direito de absorver e aproveitar os detalhes como acharmos melhor.
Porque é mais ou menos assim a brincadeira: dão-nos o metal. Nós podemos transformá-lo em faca e procurar alguém que tinha a vaca e fez o queijo. Então agora, em conjunto e literalmente, estamos com a faca e o queijo na mão. Qual o próximo passo? Cada qual com sua escolha.
A capacidade do ser humano é inimaginável e nunca podemos duvidar de ninguém e nem de nós mesmos. Principalmente, jamais devemos julgar os detalhes, predefinindo ou predestinando-os. "A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva", como canta a banda Barão Vermelho.
Eu, que sou exagerada e inventiva por natureza e tento trabalhar com os detalhes, peço apenas que me dê a faísca e aí, quem sabe, teremos um incêndio.

domingo, 17 de julho de 2011

Passagem só de ida.

Essa foto é da Camilla Chevitarese e eu achei linda!

Está decidido.

Em 10 minutos vou levantar da minha cama e tomar um bom banho. Ainda com os cabelos molhados e com uma roupa bem fresca vou caçar minha mala e jogar nela tudo que eu preciso: Biquínis, roupas leves, meu maior casaco, toalhas, protetor solar, coisas básicas de higiene pessoal, uns dois livros e meus bichinhos de pelúcia (sim, tenho 4: Ferdinando, Frigs, Nutsy e Xim). Documentos, dinheiro e comida eu levo na bolsa.

Não deve demorar muito pra fazer isso e logo estarei pegando a saída de Brasília, rumo ao litoral. Qual estado ? Qual cidade ? A que eu conseguir chegar primeiro. O importante é que eu quero brisa, ondas, pele morena e cochilos na rede. Estou morrendo de saudade e mal posso acreditar que logo vou mergulhar no mar, catar conchinhas e subir em pedras no meio da água. Ah, e ouvir aquele barulho maravilhoso e indescritível que só uma praia faz, aquele que eu finjo que a minha grande concha imita.

E à noite vou caçar algum lual pra ir. Ver a lua cheia, linda do jeito que está, iluminando a praia toda. Me divertir muito com meus amigos - que vão comigo, é claro - é o que eu mais quero! Aproveitar que não sabemos quando vamos fazer isso de novo. Aliás, coitados. Já devem estar me esperando. Mas eu precisava vir aqui compartilhar minha felicidade, eles que me perdoem. Certo, vou indo então. Curtir o que a vida tem de melhor pra oferecer!


Yeah, right, como se fosse verdade. Como se eu não tivesse uma prova dificílima amanhã de manhã me esperando. Mas é sempre bom sonhar... quem sabe um dia eu coloco em prática.

Ps: Desculpe-me quem achou que era verdade! Hehehehe

domingo, 10 de julho de 2011

Quem ama, cuida.



Uma coisa simples mas que nem sempre damos a importância que merece.

Como todo mundo já deve ter visto e ouvido muito por aí, as pessoas são como plantas. Nós começamos com a sementinha do relacionamento (amizade, namoro, família) e temos que regá-la, levar pra tomar sol e tirar as folhas velhas com frequência pra crescer forte e saudável. Acho esse ditado/comparação genial, somos todos plantas!

Aproveitando, o caso é: precisamos cuidar melhor do nosso jardim. Procurar os vasos que contém nossas plantas preferidas e mantê-las sempre perto e num lugar bom, tirar as ervas-daninhas e outras que sufoquem ou prejudiquem as que são realmente importantes e lembrar de sempre cuidar bem daquelas que nos cuidam bem. Aquela árvore linda da família, que dá sombra, frutos e sustenta a rede pra você dormir tranquilo, os vasos grandes e cheios de flores das amizades, que enchem os olhos de beleza e o ar de perfume e alegria, e o canteiro próprio do amor, que pode guardar uma mudinha mirrada e frágil ou uma planta com muitos brotos e flores.

Por isso eu digo, não podemos descuidar de quem gostamos. Com isso não quero dizer que temos que virar babás de pessoas específicas e esquecer o resto, claro que não. Quero dizer que, se for realmente importante pra nós, não podemos deixar de cuidar. Deixar de mostrar preocupação quando não dá notícia por muito tempo, felicidade pela existência e companhia e compaixão nos momentos difíceis.

É algo natural tentar deixar quem a gente gosta feliz. Com presentes simples e ocasionais, quando menos se espera, elogios, recados, telefonemas, dias de fazer nada, conversas, risos... Porque isso nos faz feliz tambem. Por isso sempre tento levar isso na cabeça pra não deixar de cuidar de quem eu gosto.

Já que tocamos no assunto, aposto que você ficou com vontade de ir "cuidar" de alguem que gosta. Eu fiquei e vou lá agora! Hehe.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Passa (?)

Como diria Caio F. Abreu, "vai passar". É difícil nos primeiros dias, nas primeiras horas, nos primeiros minutos... Mas vai passar. O frio na barriga antes de começar é o mesmo antes de terminar. Mas as conseqüências do fato são como margens opostas de um mesmo rio. A aflição, o remordimento e a falta de ar são sentimentos decorrentes do ato já consumado. O dia demora passar. Mas é assim mesmo. As nuvens parecem ficar estáticas a te olhar lá de cima. E tu se perdes em teus pensamentos vagos. Perdes visão a um palmo do próprio nariz. Mas vai passar.
A incerteza se torna inquilino do corpo e da alma. A calma que tanto sonhavas ter (depois do término) não veio. Mas vai passar. A vontade inquieta de ligar é normal. Irreconhecíveis são os dedos de tuas mãos, que se enroscam uns nos outros, como se cinco em cada mão não fossem suficientes. E realmente não são suficientes para contar quantas vezes já olhastes no relógio e ainda são 7h30 da manhã. Infelizmente o tempo anda muito devagar. Mas vai passar e tu sabes disso. A vontade que tens é de estar em coma e só acordar quando já tiver passado a dor.
O amor dá lugar a incerteza. E a incerteza dá carona a desconfiança e a falta de lucidez. O olhar perdido e sem foco também é normal. A cabeça não acompanha os movimentos do corpo. O pensamento está aéreo, vagando aí dentro de tua mente, viajando pra longe daqui, com passagem (apenas de ida) para Deus sabe lá onde. Ah, pensamento retrógrado! Pensamento que te faz perder a noção de tempo e espaço. Se soubesses o quanto te queria longe daqui. Já não consegues juntar duas frases com coerência. A falta de percepção das coisas parece ser de nascença. Os olhos passam a ver o mundo com estapafúrdia diferença. As pálpebras se enxáguam com freqüência. Mas vai passar.
A mudança de rotina nunca foi tão nefasta. Pela primeira vez em muito tempo começas a traçar novos planos, desenhar novos projetos. Praticar esportes, devorar um bom livro, voltar a desenhar, voltar a escrever, ou até mesmo reencontrar amigos que deixastes pra trás durante todo esse tempo. Agora será essa a tua rotina: encontrar refúgios que não te remetam ao teu passado. Quem sabe possam sepultar essas lembranças que tanto te machucam? E assim, vais tentando seguir em frente. Como diria Drummond, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Que tua dor seja efêmera e que não torne mais a te aborrecer.

~

Esse belo texto foi escrito por um amigo, o Alisson Rodrigues, há dois meses. Ele me mandou e eu quis muito compartilha-lo. Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu.

sábado, 12 de março de 2011

A hora errada pra pensar

O corpo relaxado logo se senta mais ereto e firme do que normalmente, quando caminha ou quer impressionar. O coração dispara enquanto os olhos ficam inutilizados - fechados ou vidrados, tanto faz -, porque quem trabalha é o cérebro.
A emoção do agora, as frases-chaves em que pensou e alguma metáfora, rápido! Tudo vai-se encaixando com falhas mas parece tão significantemente bom que só precisa ir pro papel e depois... ah, depois eu arrumo, preencho, estico, mastigo e soletro. Tudo vai sair exatamente como eu pensei, não tem como dar errado!

Tem sim. Porque a pressão de estar atrasada pra algo (como quase sempre acontece) mina sua concentração e, antes de você alcançar o papel ou a tela de postagem abrir, as palavras fogem, o assunto foge. Sua criação e a criatividade amolecem, escorregam e caem de volta pro fundo do bueiro, onde estavam antes da explosão milagrosa.
Esqueça o texto. Outro dia você faz um melhor, sem estar atrasada para nada e com inspiração de sobra.

É, com certeza.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Praia

Sol. Céu azul até onde consigo enxergar. Vento fresco e constante.
Mal posso acreditar que estarei na praia daqui a 12 dias.
Ao invés de olhar e sentir tudo isso na frente do computador, sentada numa cadeira de escritório, estarei apreciando de camarote, numa cadeira de praia, de frente para o mar.

Só eu sei como sinto falta de uma praia às vezes.
Esqueça as crianças correndo de um lado pro outro, os velhinhos empatando sua diversão no rasinho do mar, os vendedores e seus muitos produtos e comidas versus você e seu pouco dinheiro e aquelas pessoas desfilando um corpo de dar inveja.

Praia pra mim é areia. Areia fina e branca, grossa e granulada ou molhada e maleável. Areia quente superficial que queima os pés e aquela que fica mais no fundo, que só descobrimos quando enterramos alguém. Uma areia sacana que insiste em grudar em tudo! Mas que serve muito bem pra fazer castelos. Areia de mar, que entra no seu biquíni de um jeito inimaginável e não sai nem com muita lavagem. Areia natural.

Praia pra mim é água. Água do suor que escorre no calor, enquanto você brinca de correr atrás do guarda-sol que saiu voando. É água de ducha, quando você tá saindo da praia, pra tirar um pouco da areia e do sal. E água de côco (pros outros, eu fico com minhas águas de garrafinha) pra hidratar. Água da chuva que cai quando você menos espera mas não te impede de sair correndo pra praia. É aquela imensidão azul, a água salgada que é o mar. Pura e simplesmente água.

Praia pra mim é cor. Roupas soltas e estampadas. Bebidas e comidas chamativas. Liberdade descrita em azul-esverdeado, amarelo-sol e branco-nuvem. Cor de felicidade estampada nos sorrisos, cumprimentos e momentos pra viver. Os clássicos preto, dourado e vermelho, aquelas cores do pecado que só quem foi à praia e tomou sol pode ficar, hahaha. Cores originais.

Pra mim, praia é ser feliz e saber (ou não). É me encontrar na areia, na água e nas cores. É ganhar, construir e viver histórias pra contar. É sentir saudade de casa, mas não querer voltar tão cedo.
Praia pra mim é só raramente, desde que vim pro Centro-oeste. E, mesmo assim, praia é minha paixão.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu não tenho porta.

Na verdade, meu quarto não tem porta.
Quando nos mudamos para essa casa, tomei posse de um pedaço do mezanino, que deveria ser um pequeno escritório, para ser meu quarto. Como consequência, ganhei quase todo o espaço daqui de cima.
Legal, tem muito espaço pra colocar minhas tralhas, me espalhar e até uma "ante-sala" pra receber visitas e tal... sem contar que agora o outro pequeno escritório virou o ateliê da minha mãe. É. No meu quarto! Disso, eu tiro a conclusão que não tenho bem um quarto e sim que moro num apêndice da sala.
"E daí?", não é mesmo ? E daí que eu sinto falta de ter um quarto de 4 paredes, 1 janela e 1 porta - assim como era na antiga casa. Pode não ser grande coisa, não abafar ruídos de choro ou música alta quando eu preciso e nem ter tranca, mas seria meu cantinho.
Quem me conhece sabe que eu prezo muito um espaço meu onde eu possa criar meu mundo.
Sem contar que eu gosto de privacidade, de poder colocar música, cantar e dançar ridiculamente sozinha e falar no telefone sem ter gente escutando.
Bom, na falta de espaço habitável, divido meu mundo e coloco as partes em locais acessíveis que eu possa carregar comigo. É, vivendo e aprendendo a ser um caracol.
Em relação à privacidade... nem tudo é perfeito, não é mesmo ? Tenho lidado com isso há 3 anos... já devia estar acostumada.
E quanto ao meu quarto em si... Bem, ele é só um apêndice/quarto; o essencial ele me oferece (teto, paredes, janela e cama). Não dá pra exigir muito mais dele, eu sei. Eu só queria desabafar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Unsaid things

E daí que um grande texto, escrito com todo o cuidado, perde a graça quando chega no final.
Porque às vezes palavras não são suficientes ou não sabem captar a profundidade ou o sentimento que o(a) autor(a) deseja expressar.
É quase como querer que uma boa ironia seja óbvia para qualquer um.
É. Tá difícil me fazer entender.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Contrariando

Gosto de pensar que a minha vida depende unicamente de mim. É mais fácil. (Mesmo que não seja verdade).
Sabe ? Pensar: ou eu faço ou eu não faço, ou eu digo ou não digo. E, mesmo que minhas opções derivem das ações e atitudes de outras pessoas, quem vai escolher sou... eu! Como se no final das contas eu estivesse decidindo muita coisa, não é ? Pior: como se eu soubesse/conseguisse/gostasse de decidir por mim e pelos outros.

Às vezes acho que sou contraditória desse jeito porque eu generalizo tudo, pensando só por um lado. Esqueço quão relativas são as coisas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Brasil-il-il!


"Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil!"

Hino Nacional - Joaquim Osório Duque Estrada

Sim, é mãe.
É mãe que dá o melhor de si para cuidar de cada filho enquanto tem que lidar com os problemas de casa e do trabalho. É mãe que faz de tudo para não faltar nada para ninguém, mesmo que isso signifique repassar roupas do filho mais velho para o caçula. É mãe que cansa, sente e chora, mas que nunca dá as costas para quem precisa. É mãe que sofre com reclamações e é até renegada pelos filhos rebeldes, que não sabem valorizar o que tem. É mãe.

Sempre achei o hino nacional belíssimo! Rebuscado, cantado pelo Exército Brasileiro e executado pela banda, provavelmente é a música que mais ouvi e cantei na minha vida (levando em consideração os feriados patriotas e as sextas-feiras antes da aula). Digo que tenho orgulho de saber cantar sem errar quase nada (algumas palavras me complicam a vida). E foi por isso que quinta eu fiquei tão chocada.

Era mais uma aula de Introdução à Sociologia, com a querida professora argentina Maria Eloísa. Ela estava falando sobre algum assunto que eu não entendia, pra variar um pouco, e eu estava ligada no automático, ouvindo sem absorver. De repente meus ouvidos captaram algo sobre nacionalismo e a falta dele no Brasil. E então a professora começou a falar do Hino. Ela pediu pra falarem trechos e em seguida pra alguem cantá-lo. Falei algumas coisas em voz baixa com a minha amiga, por questão de vergonha, e esperei... ninguém se manifestou - nem os super-participativos, queridinhos da professora. Será mesmo que todos estavam com vergonha também ou a galera simplesmente não sabia o hino do próprio país ?

Tudo bem, aconteceu, fiquei chocada e passou. Mas eu não entendo! Por algum motivo não existe patriotismo presente no sangue brasileiro. Algum motivo bem estranho que eu desconheço. Então hoje eu estava passeando pelo Tumblr de uma amiga e vi um texto escrito por uma holandesa que me lembrou esse assunto, e eu queria muito compartilhar! O texto é esse. Espero que gostem e reflitam um pouco. Se você também for apaixonada por essa nação, alegre-se! Se não, leia com atenção e perceba o quanto vale a pena amar o lugar onde você nasceu ou onde mora.

Eu amo meu país, mesmo com todos os defeitos. E você ?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Carta confissão.

Escrevo coisas querendo que você as leia e, mais ainda, que as aprove!
Escrevo na esperança de alguma coisa realmente fazer sentido pra você, entre todas as minhas metáforas e palavras opostas.
Passo realmente muito tempo pensando em algum jeito de dizer coisas bonitas ou fazer algo que passe pelo menos um pouco do gigante carinho que eu sinto por você.
Me visto com roupas que penso que você gostaria e tento ficar linda aos seus olhos, quero ser sua preciosidade.
Procuro ser sempre franca e fazer tudo do modo que você me ensinou que era certo. Me esforço pra ir além do que você espera, e mais do que ía antes. Não ficarei satisfeita nunca, porque você me faz querer ser melhor - você me dá vontade de ser tudo.

Meu sonho é ser seu maior orgulho, assim como você é o meu.

domingo, 3 de outubro de 2010

Ladra de emoções


Quero livros. Logo.

Preciso de prosa ou poesia. Drama, ficção, romance, comédia, assassinato, contos infanto-juvenis ou crônicas. Anseio por todo o ecletismo que me ofertem. Desejo toda a paixão que só palavras podem me oferecer. A sedução afinada das tramas e os personagens envolventes. Quero sentir fúrias e mágoas e quero apaixonar-me.

Mergulhada em sensações alheias, quero experimentar todas e absorver um pouco de cada uma. Conhecer lugares que não existem, provar gostos e cheiros, sentir toques e temperaturas. Quero atender por nomes novos, receber elogios diferentes e ter realizações, frustrações e satisfações maiores.

O momento é para desconhecer e desprender dessa vida. Simples: quero tornar-me uma completa estranha deste corpo por um tempo. Entrar de cabeça numa história que não seja a minha e roubar brevemente essa existência (mesmo que fictícia).

Convêm lembrar que um dia eu voltarei. Talvez não a mesma, mas com certeza não menos do que isso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E então só sobra o vazio de algo tão bom que um dia durou para sempre.

Eu não queria ver, mesmo que todos os sinais estivessem desenhados com tinta neon. Eu não queria ouvir, mesmo que tantas pessoas diferentes me dissessem as mesmas coisas. Eu não queria perceber, mesmo que pequenos detalhes fossem extremamente gritantes. Eu não queria acreditar, mesmo sabendo que terminaria assim. De uma forma geral, eu não queria que fosse desse jeito.


Eu estou bem e assim vou ficar. Não sinto raiva, não guardo rancor. Não estou triste, ou indiferente, e nem planejando vingança. Eu apenas tenho um vazio no meu peito, o lugar onde antes tinha você. Porque eu sei, apesar de tudo que foi dito, que nada será como antes - nunca.

Infelizmente, agora acabou. Nenhuma mentira mais foi contada e todas que haviam sido, foram desmentidas. Pensar faz mal mas só sentir tambem, não tem como escapar. Sei que não vai durar para sempre esse estado, mas até ele passar vai ser meio estranho. Não poder contar com você talvez seja o pior. Por mais que você diga que eu posso, eu não posso mais. Pelo menos não por enquanto...


Essa falta de sentimento é muito incômoda, porque não é mais fácil. E eu não consigo chegar à nenhuma conclusão absoluta no momento... E a única coisa que aparece na minha mente é um trecho de uma música do Leoni:


"O que me dá raiva não é o que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado, nem seu jeito fútil de falar da vida alheia, nem o que eu não vivi - aprisionado em sua teia. O que me dá raiva são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós... São seus olhos e mãos, e seu abraço protetor. É o que vai me faltar... O que fazer do meu amor?"
( http://letras.terra.com.br/leoni/181103 )


E eu estou realmente bem agora, apesar de não parecer (eu sei)...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Fidelidade inocente


Não pense que um dia vou te abandonar, largar mão de você. Pode não ser a atitude mais esperta do mundo mas é algo que eu provavelmente nunca farei. Com isso não quero dizer que nunca vou perder contato ou que farei questão de falar contigo sempre. Apenas quero deixar claro que sempre estarei por perto caso você precise de alguém (mesmo que não seja exatamente eu).

Simplesmente porque eu me importo com você. Eu quero sempre te ver feliz ou pelo menos bem. Me contentaria com sua alegria até se a causa não fosse eu - mesmo que isso doesse um pouco (ou muito) em mim - e me conformaria que não se pode ganhar todas as vezes. Confesso que talvez me afastasse um pouco em um momento como esse (sou humana, afinal), mas não seria por um pequeno capricho de orgulho que eu ignoraria sua cara fechada ou triste.

Se existem pessoas das quais eu não consigo guardar rancor, são aquelas que eu amo. Talvez guarde alguma desconfiança mas só se for justificada. De qualquer forma, em algum momento eu vou deixar de lado tudo que aconteceu e me deixou triste para seguir em frente.

Então sim, eu serei (insira aqui o adjetivo que achar apropriado) sempre. Podem passar anos, e durante eles talvez você nem lembre mais a minha cara, mas, se em algum dia nos virmos e não houver nenhum sinal negativo, eu vou te tratar como sempre te tratei. Porque tem uma parte de mim que é apenas sua: aquela que você cativou.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Resgate de postagem

""A dor é um evento. Ela acontece com você, e você lida com ela da melhor maneira possível."

- O vendedor de armas (Hugh Laurie)

Assim como a dor, a mudança é um evento.
Muitas pessoas lidam com ela celebrando, outras chorando e outras sendo indiferentes (ou pelo menos tentando).
Há também quem use uma mudança como pretexto para mudar mais alguma coisa que só faltasse coragem para fazê-lo. Conheço quem corta os cabelos, pinta e alisa, quem muda a organização do quarto ou da sala e uma ou outra que renova o guarda-roupa inteiro.
Eu não sei lidar com mudanças e, mesmo prometendo usá-la como um pretexto também, nunca consigo. Meu conservadorismo é crítico em relação a mim e o máximo que me permito é pintar minhas unhas de uma cor nova (claro, com a acetona do lado pra poder tirar em qualquer emergência - principalmente arrependimento).
Dessa vez não foi muito diferente: faculdade, pessoas novas, mundo novo, ninguém sabe nada de mim e nem tenta adivinhar ou supor e eu, já de cara imaginando uma nova luzinha piscando na parede das características com o nome "Comunicativa", achei que esse seria o momento certo para ser vista de outro modo que não o antigo (mal-humorada, chata, reclamona).
Por sorte, talvez, vi os dois primeiros dias passarem e eu, mais uma vez, estava de braços cruzados, como se esperasse que alguma coisa me sacudisse até toda a pele velha se soltar e eu conseguir me mover (pra frente, de preferência)."
Em 30 de março de 2010
Bem, posso dizer que eu nem lembro mais como sucederam os dias seguintes ? Pois é. Mas provavelmente eu não tomei iniciativa alguma. De qualquer modo, agora estou caminhando para o 2º semestre de curso, com bons colegas e quase amigas que pretendo levar adiante. No geral, acho que eu soube lidar bem com essa mudança.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dura realidade figurada



Ultimamente tenho andado a esmo e, num dia muito nublado, acabei tropeçando e caindo em mim. Não diria que foi a coisa mais agradável dos últimos tempos, pois não foi. A queda nunca teve fim, fiquei suspensa, paralela a algo espelhado mas ao mesmo tempo translúcido. Não era agradável mesmo. A imagem refletida estava parada e era clara e obviamente a minha, mas com falhas largas e não suficientemente espaçadas que maculavam a integridade da figura, então foi basicamente por traços marcantes que me reconheci.

Eu não era obrigada a ficar ali, olhando tudo com muito cuidado e minúcia, porém uma mania minha é observar os detalhes. Os olhos foram os primeiros da minha lista de análise. Congelados e sem brilho, não me diziam nada e eu tambem nada perguntei. Os punhos estavam cruzados, sofrendo a leve ação da gravidade, e as mãos estavam semi-fechadas. Meu olhar captou e logo se desinteressou pelos pés, que estavam em posição de passada, como no meio de uma caminhada. Não era nada que eu não visse todos os dias num espelho, então só me restou tentar achar algum sentido nas falhas.

Percebi que em algumas havia apenas o vazio, um buraco sem fundo que não tinha sentido, mas na maioria eu consegui ver rostos, objetos, palavras... Tudo muito conhecido, muito amado e sem conexões. Todos aparecendo meio esfumados por trás da imagem, nas partes transparentes. Aquilo com certeza me disse muito e, como Sherlock, juntei todas as pistas. O que me mantia pendendo sobre o tal espelho eram certamente fios de ignorância: pois, ao entender, eles cederam e eu realmente caí. Foi ruim e doloroso, mais desagradável do que ficar suspensa.

Assim que pude levantei-me e saí de lá. Infelizmente não é algo que consegui apagar da minha memória ainda por conta do corriqueiro acesso de lembranças ruins nos meus sonhos. Por outro lado, felizmente passo a maior parte do tempo acordada e posso direcionar meus pensamentos (ou pelo menos tentar).



Por enquanto é apenas metáfora. A história real não pode ser imposta, e sim contada a quem realmente queira saber.