quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Glu glu glu

O tempo voa quando precisamos que passe devagar e se arrasta quando não aguentamos mais esperar. Constato esse fato todos os dias quando a minha ansiedade começa a bater na porta. Eu sei que quem sofre na véspera é peru mas não tem jeito.

Sim, eu sofro por antecipação - e muito e sempe.


Sofrer por antecipação é lei na minha vida. Eu sofro por tudo: na espera por provas, datas, respostas e até por coisas que eu nem sei se vão acontecer. Mas nem sempre é algo ruim. Eu, por exemplo, adoro contar os dias, horas e minutos pra acontecimentos legais, apesar de penar horrores quando estou com medo de fazer alguma prova que não sou muito boa.
E tanto já estou acostumada com a minha ansiedade crônica que a classifiquei em boa, chata ou desesperadora. A chata é aquela que me força a olhar o relógio a cada dois minutos na esperança de que uma hora já tenha passado e sempre convém em momentos de espera como pré-reencontros ou antes de anunciarem listas de resultados, sempre momentos repletos de tédio. Enquanto a desesperadora é um patamar mais alto e pode até me fazer perder o sono de tanta preocupação ou felicidade. E a boa ? Ah, a boa é aquela que precede a festa, a finalização. Esse sofrimento que me enche de coisas pra fazer, faz-me explodir em mil para realizar tudo e, ao fim, me deixa com uma sensação de dever cumprido impagável.

Independentemente, é algo que sempre me acompanhará. Mesmo que eu reprima, terá sempre algum átomo dentro de mim pulando pra cá e pra lá, fazendo coisas e olhando no relógio, roendo unhas. O que posso dizer ? Pareço de aço, mas ainda sou humana. Se não crio expectativas sobre o que vai acontecer, preciso pelo menos ansiar pelo momento que está por vir. Hehe

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Certos detalhes

Alguns certos detalhes - como o brilho dos seus olhos, o quase branco do seu sorriso e a doçura do seu perfume - me carregam todos os dias para uma semi-realidade de sonhos e jogos, onde o amanhã nunca acontece e o ontem ninguém sabe onde foi parar.
São coisas pequenas - eu sei - que você provavelmente não espera que eu enxergue ou dê atenção, mas foram justamente elas que me fizeram ver-te inteiro.
Foram, são e sempre serão certos os detalhes que me fazem esquecer do mundo quando sinto que você está perto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

E quando eu morrer ?

O que vai sobrar ? Do que vão lembrar ? E por quanto tempo ?

Não, no momento eu não estou falando do assunto polêmico que é a pós-vida. Eu simplesmente estou levantando uma questão que surgiu agora na minha mente: E o pós-morte ? Pior: e a minha pós-morte ?

Um assunto sombrio, meio emo e bem irrelevante, é verdade, mas eu realmente me pergunto como será... Como será o meu caixão ? Quais flores estarão sobre ele ? Vão respeitar alguma preferência minha que eu tenha pedido enquanto viva ? Como meus conhecidos vão saber do enterro ? E duas muito comuns: Quantas pessoas estarão lá ? Por quanto tempo depois lembrarão de mim ?

Mas, sinceramente, o que me mexeu de verdade a ponto de querer escrever tudo isso agora foi o seguinte: Pelo quê serei lembrada ?

Como possível futura contadora, não acho que vá mudar grandes coisas na vida das pessoas a partir da minha profissão.
Pelos amigos e parentes - talvez até marido e filhos -, esses provavelmente lembrarão saudosos do meu melhor lado e carinhosamente das minhas chatices (é sempre assim).
As outras pessoas que tive contato talvez acabem nem sabendo nada e, se souberem, não sei o que esperar.

Mas e quem eu nunca conheci ? E aqueles que cativei sem notar, sem querer ? Pessoas que talvez nem saibam o meu nome ou quem eu sou, mas que leram minhas palavras e identificaram-se. Ah, que alegria seria ser lembrada pelas minhas palavras. Sussurros, técnica de escrita, interjeições, argumentos, conselhos e até o que nunca saiu da minha boca ou das pontas dos meus dedos - os meus pensamentos. Seria continuar existindo. Mas se não acontecer, paciência. Não é como se eu vivesse para ser lembrada. Se fosse assim, eu tentaria agradar muito mais os outros e fazer as coisas de modo que gostassem.

Ainda bem que não faço disso um objetivo e posso viver do meu jeito. Aliás, se for pensar em ditados e provérbios, "tem louco pra tudo nesse mundo" e "a esperança é a última que morre", mas "palavras ditas são como flechas lançadas". Logo, ainda existe a possibilidade da minha 'pós-existência', porque alguem pode gostar das minhas palavras futuramente - já que elas sempre estarão aqui, no meu pedaço de realidade. Conclusão ? Viver e deixar morrer; tudo o mais além disso é mera especulação.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Erros e acertos

É... Faz parte. Mas, na verdade, errar e acertar faz mais do que parte, é praticamente a base. Ainda mais na sociedade em que vivemos, onde qualquer ato seu pode ser visto, avaliado e julgado - a todo instante, em qualquer lugar. Digo isso porque não conseguimos mais escapar dessa categorização: vira-e-mexe paramos pra pensar se estamos agindo corretamente ou se não teria sido melhor não ter feito tal coisa.

É algo natural ter dúvidas e arrependimentos sobre o que fizemos, e mais natural ainda, por pior que seja, é não podermos voltar atrás e corrigir. A vida é feita de erros e acertos, mesmo que não percebamos ou não saibamos julgar, que vão se somando e formando a pessoa que você é e a visão que você tem dessa tênue divisão.

Mas os erros não são sempre ruins e os acertos não são sempre bons. Aliás, é algo tão pessoal e relativo que ninguem pode dizer com certeza se você fez bem ou mal e tambem não há como agradar a Gregos e a Troianos, como dizem. Se fôssemos tentar fazer essa loucura de agradar a todos teríamos sérios problemas: falta de personalidade, baixa auto-estima, frustração, falsidade, mentiras etc., apesar de crer que seria pior se satisfizéssemos apenas os nossos objetivos, só seguindo conceitos próprios, e não ligássemos para o que os outros pensam. Uma pessoa egocêntrica e egoísta que não confia e acha que não precisa dos outros provavelmente vai ter (e dar) muito problema nessa vida.

Geralmente o melhor é seguir o caminho do meio, sem extremos, equilibrado. Às vezes achamos que estamos errando demais ou que tudo está lindo e perfeito, mas nada dura pra sempre e o nível de acertos e erros sempre vai se igualar, mesmo que você não perceba. Todo mundo erra, todo mundo acerta. Quando nos damos conta de que precisamos apenas nos focar no lado bom das coisas, começamos a ignorar os erros, e quando estamos mal, esquecemos todos os acertos, mas os dois sempre estarão lá. Por quê ? Porque é a base. Acertar e errar não é apenas parte da vida, isso é a vida.

Então viva.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O poder dos livros sobre mim

Sou uma pessoa facilmente influenciável por sentimentos alheios. Detesto escrever isso, mas é verdade - de certo modo.

Talvez eu sempre soube mas hoje me dei conta de que realmente tenho uma certa inclinação pra tomar as dores e felicidades de quem se abre comigo. E o mais estranho é que percebi isso a partir de livros. Dramas adolescentes, suspenses médicos, comédias românticas, ação, aventura ou ficção pura... Todos cativam uma parte de mim com seus personagens, histórias e/ou narração (na maioria das vezes) de uma forma tão simples e fácil que nem percebo as nem sempre sutis mudanças pelas quais eu passo.

Por esses dias estive lendo Melancia, da Marian Keyes, que é um livro ótimo, muito engraçado e dinâmico. (Claire, uma mulher já não tão jovem, mas nem por isso muito madura, acabou de ter uma filha e foi deixada pelo seu marido - bem dizendo, foi trocada por outra mulher. E esse livro conta como ela se vira a partir daí. Eu recomendo!). Enfim... eu me solidarizei muito com todas as confusões íntimas, senti como se fosse uma amiga contando-me seus dramas, me identificava toda vez quando ela começava a esmiuçar um sentimento e explanar um pensamento a partir de qualquer coisa que tivesse acontecido e tudo o mais. E foram coisas assim que levantaram meu astral, melhoraram meu humor e me fizeram perceber, mesmo numa calma casa no centro do Brasil e não entre uma família européia muito louca, que as coisas podem ser legais se você permitir e estiver disposta a fazer acontecer. Me senti mais leve, sociável e carinhosa após a leitura e não reclamo!

Em contra-partida, antes dessa leitura agradável, estive mergulhada em outro suspense médico de Tess Gerritsen (os quais mamãe gentilmente insiste que jorram sangue só de olhar). Tenho 3 aqui em casa e, de uma forma geral, todos são trabalhosamente montados e mostram detalhes de cada assassino calculista de forma interessante e instigante, então é difícil me fazer esquecer a eficiente detetive Jane Rizzoli e a humana doutora Maura Isle. Mesmo seguindo uma linha praticamente contrária à de Melancia, esses livros tambem encontram eco em algum lugar de mim. Não, eu não sou uma psicopata e nem tenho gosto por ver sangue, objetos fatais, pessoas mortas e nem nada semelhante mas, com essa leitura, consigo me manter... imune (na falta de expressão melhor) a certas emoções e acontecimentos ao meu redor, mantendo-me à uma distância segura, onde posso lidar com eles sem encará-los de frente.

Talvez eu seja louca, mas muitas vezes certas leituras são o que eu preciso para manter a calma, descobrir uma solução ou achar um modo de lidar com algo. Atualmente, durante esse período de férias forçadas, não tenho tido muitas coisas para fazer e errar, então uso essas histórias como se já fizessem parte da minha vida e aprendo com elas. Espero que um dia sejam úteis, e não só essas, como todas as outras que já foram e que ainda virão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estagnação

Os braços e as pernas abertos, tal qual o famoso desenho de Da Vinci, deitada no chão. Sua face irredutível e indiferente, olhos voltados para o teto por pura conveniência - não havia nada mais de interessante naquele quarto.

A cada dia sentira, tentara compreender e desistira, vários sentimentos projetados em si, compartilhados ou proporcionados apesar de nenhum realmente ter conseguido ocupar espaço em sua mente por muito tempo.

Tentou lidar com a falta do que fazer do jeito que pôde e na intensidade que conseguia. Aprendeu a fazer algumas coisas e a se interessar por elas, vasculhou na lembrança momentos que pudessem tirá-la da realidade por algum tempo, ocupou-se com atividades sem resultados e com algumas obrigatórias e, por fim, quase redescobriu uma rotina (mas não chegou tão longe).

E o ânimo se foi. As manhãs, cinzentas ou claras, davam bom dia e as estrelas fosforescente de seu teto (se é que reparava em outras) sussurravam boa noite; fora isso não havia nada para delimitar o dia. Ou talvez não existisse mais vontade para fazê-lo.

Foram horas, minutos ou segundos ali, descansando um corpo inutilizado. Na verdade, tanto fazia para ela, pois sabia que o dia duraria as mesmas torturantes 24 horas cronológicas, com todas suas pausas e acelerações.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Falta-me a coragem.

Olhando alguma imagens no We Heart It, percebi essa pequena, no canto e parei pra observar e pensar...
Eu me vejo/sinto assim.
Sei que existe um mar enorme ao meu redor, mas estou, de certa forma, presa no meu aquário.
Eu ainda não sei como sair e aqui parece tão... seguro! Mas, ao mesmo tempo, tão solitário.
Minha esperança é a onda que vem; ela vai me ajudar a virar esse aquário e eu vou conseguir sair e viver, sem as limitações que eu mesma impus. Eu não preciso me trancar num mundo que eu já conheço e ficar para sempre assim, certo ?
Certo! Só falta-me a coragem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Treinamento confuso

Eis que volta aquela vontade louca, mais uma vez. Já não sei quantos dias tão bons passei pensando em como ela pôde ser tão má a ponto de aparecer do nada. Uma coisa insana que insiste em sair raivosa de algum ponto dentro de mim e ir batendo pelas paredes do meu tórax, maltratando o coração e os pulmões, fechando minha garganta por algum tempo e confundindo minha cabeça sem pedir permissão.
Não preciso de muita coisa para um sorriso se fazer em meu rosto, mas parece que um vago lampejo desestimulante acaba comigo, física e psicologicamente, e faz essa vontade aparecer. Confesso que faz algum tempo que não sei o que é dar vazão a essa rebeldia sem causa mas não acho que seja por isso que ela insiste tanto.
Perdi as contas das vezes que parei para considerar se valia a pena liberar essas lágrimas insistentes até decidir pelo não e desfazer qualquer vestígio que a vontade de chorar possa ter causado em meu corpo e mente... sabe, já virou rotina.
Mas não quero voltar ao que era, não. Já não consigo mais ver meus sentimentos como lixo industrial e tratá-los assim, simplesmente jogando-os num canto onde não vou muito e deixar que sejam cuidados pelo tempo, mesmo sabendo que não são biodegradáveis e não sumirão tão cedo. Sei que sou forte se quiser fazê-lo, mas descobri a importância de demonstrar meu lado mais humano, menos frio, e dou valor a isso. O que não significa que o banalizarei...
Então... será essa a resposta ? Só mais uma briga entre a razão e a emoção e a busca sensata por um meio-termo ? [...] Apenas gostaria que não fosse tão óbvio e talvez esse texto fizesse algum sentido.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

#fail

Às vezes abro a página de postagem e fico olhando para o espaço em branco por minutos, tentando pensar em alguma forma de expressar tudo que passa na minha cabeça. Quando lembro que, de um jeito ou de outro, só usarei palavras, desanimo... Por mais que nessa minha língua brasileira existam palavras descritivas sensacionais (como "saudade"), ainda sinto-me... reprimida ? incompleta ?
Não vou subestimar o poder das palavras, mas por muitas vezes elas não me bastam; e isso faz falta, pois é unicamente por meio delas que gosto de externalizar meus pensamentos, extravazar os sentimentos e debater quaisquer assuntos.
Minha maior frustração diária é querer falar alguma coisa e não saber ou lembrar a palavra certa que contenha todo o significado do que eu quero dizer. Sem contar que, por culpa do meu perfeccionismo, muitas vezes uma só palavra não basta e uso tantas mais que me enrolo e acabo não dizendo o que queria do jeito que gostaria.

ps; E depois de escrever esse texto todo, tentei pensar em algum título (é, estou mudando o jeito do blog aos poucos; um dia será o layout!) mas, na impossibilidade de achar a palavra certa, escolhi uma hashtag (do twitter) que melhor representa a situação. hehe
:*

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Vocês (nem) são tão parecidas!

Quando eu apresento minha irmã pra outras pessoas quase ninguém diz que somos parecidas e alguns ainda ficam chocados quando contamos que somos gêmeas, mesmo dizendo que não-idênticas - não temos nada em comum: desde a cor e tipo de cabelo (o meu ondulado e claro, o dela liso e escuro) até o estilo de roupa, juro! Mesmo assim, é muito bom ter uma irmã da mesma idade: curtimos quase as mesmas coisas, vivemos saindo juntas, rola um bom companheirismo e, claro, podemos dividir roupas, ideias, amigos e nos ajudar em matérias que a outra entende melhor; isso facilita bastante! Ah, apesar daquela tal ligação mais forte de gêmeas, nós não sentimos o que a outra sente quando estamos separadas mas às vezes até acontece de pensarmos as mesmas coisas e falarmos juntas (é, já deu até pra acostumar com perguntas assim porque é a curiosidade de muita gente). Mas, em resumo, é quase como morar com a melhor amiga (com algumas exceções, hehe)

Pauta do TDB: Irmã gêmea

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Margareth, insistente mas preguiçosa,
sentou-se no meio do caminho e de lá gritou seu revide."
(Bruna Lunardi)

Me entristecem pessoas que não tem motivo algum para fazê-lo mas, mesmo assim, roubam.
Em um colégio consideravelmente caro, com alunos que provavelmente foram muito bem educados em casa e coordenadores bem treinados para ajudar, fiquei pasma ao abrir minha carteira (que deixei em sala durante o intervalo) e constatar a falta de uma quantia alta de dinheiro. Procurei em todos os lugares e, com a garantia de que não estava lá, fui à coordenadora pedagógica reclamar da falta de segurança absurda! Sem muito esforço aparente, ficou a promessa de passar a informação pra diretoria e dar um jeito de achar a pessoa culpada - mas minha carteira continuou zerada.
Agora já não há mais o que fazer para cobrir o prejuízo e não está ao meu alcance descobrir o(a) culpado(a), mas propus aos meus colegas fazer uma manifestação contra a falta de credibilidade na segurança. Não sou como Margareth, fiz o que pude pelo que acho certo e justo, e creio que todos devem fazer o mesmo de acordo com seus casos, pois nada mudará se nada fizermos.
"Ponho minha mão sobre a sua
para fazermos juntos
aquilo que não consigo
fazer sozinho."
:*

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A inveja é algo mal e ruim mas eu acredito que existem dois tipos de inveja: uma que quer destruir a outra pessoa para se sobressair e outra que apenas adimira e se inspira no outro para tentar um dia ser como o tal é.
Chamo a 'boa' inveja de inveja branca (por falta de palavras no meu vago vocabulário); vivo com ela. Não me causa mal, arrependimento ou preocupações e sinto prazer de comunicá-la aos meus alvos de inveja - muitas pessoas até ficam lisonjeadas.
No caso de hoje, eu estava conversando com uma colega blogueira do TDB (Tudo de Blog - Capricho) e ela me mandou o blog dela. Fiquei encantada pelos textos de cara e quis muito divulgar, então resolvi postar o link aqui ao invés de simplesmente pegar trechos e dar os devidos créditos.
É a lolita: http://www.aquelalolita.com.br
Espero que gostem tanto quanto eu.
:*

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Meses nas trevas, jogados no escuro, no meio da minha memória.
Eu não consigo me lembrar daquelas noites, eu não consigo me lembrar daquelas tardes, eu não consigo me lembrar daquelas manhãs. As únicas coisas de que me lembro são flashes difusos de momentos em que larguei meu corpo e minha vida no automático e não me importei com mais nada.
Não trago marcas físicas mas por dentro as cicatrizes são enormes e escondidas. Talvez só para eu saber que, em algum lugar do passado, não vivi. Porque eu não me lembro daquela época, mas tenho duas certezas que me dão uma base horrível...
Eu não posso dizer se chorei todos os dias e não posso garantir que sorri em algum momento, mas me condeno culpada de pensar, pelo menos por um instante, que minha vida era inútil e que todos estariam melhor sem mim.
Foi o altruísmo mais perigoso e mais insano da minha vida; não tive a estupidez de me permitir um pensamento desses de novo. Ao invés, aprendi a apenas chorar e pensar que eu ainda tenho muito tempo pela frente - se Deus quiser - e que tudo só tende a melhorar, pois, quando caímos, do chão não passamos.
Essa é a força que me move nos momentos de crise, de todos os tipos, e não me deixa parar de viver.
Depois daquela época, eu criei medo da escuridão. Nunca... nunca mais quero voltar para ela.

domingo, 4 de outubro de 2009

certo... a chuva está aí, mas cadê o frio ?
dessa vez ela não trouxe o que eu pedi e ainda conseguiu estragar minha tarde.
pra ser bem sincera, eu não gosto de passar a tarde toda no computador se eu bem poderia estar fazendo alguma outra coisa, que não envolvesse tecnologia de preferencia, com meus amigos.
certo, agora parou de chover. mas mesmo assim vou ficar trancada em casa pelo resto da tarde. eu não consigo entender porque isso me deixa tão triste, mas deixa.
e, eu juro, queria muito que fosse reconfortante saber que terão outros finais de semana, mas não dá.
[...]
ufa. passou aquele sentimento ruim.
ser imediatista às vezes tem seus problemas :s

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o momento sagrado do dia hoje foi quando senti bater no meu rosto um ventinho gelado e suave.
a felicidade foi imensa e me deliciei ao máximo.
mas a desilusão veio forte quando voltei à realidade e percebi que não passava de um momento em frente à geladeira com a porta do freezer aberta.
tristeza... esse ano foi só verão! será que ano que vem será só inverno ?

domingo, 20 de setembro de 2009

"Noite alta, um bêbado passa cantando e atrapalha meu sofrimento. É um cantar calmo e isolado, que não distingue palavras e nem sentimentos, mas entorpece com a suavidade embriagada da voz de um alguém desconhecido que provavelmente também desconhece a todos.
Com esforço, levanto da minha cama e desligo o pequeno rádio que estava tocando uma música triste qualquer. Estranhamente, no momento o bêbado parece mais afinado que qualquer tenor mundo afora e sua melodia, mistura de tudo que nunca ouvi, parece traduzir minha alma.
O quarto escuro está apenas iluminado pela lua minguante, pois não há postes na rua e, com a meia luz prejudicando minha visão, vago pelo quarto batendo os pés em móveis, roupas e sapatos sem ligar realmente para eles; meu objetivo é a janela e eu vou chegar lá.
Torcendo para poder avistar o meu embriagado cantor, me debruço no parapeito, procurando febrilmente pela longa avenida. Meus ouvidos ouvem a melodia perfeitamente mas meus olhos mal enxergam o encurvado personagem no meio da rua, pouco adiante da minha sacada e de costas para mim que, iluminado pelo luar, estende uma flor branca para o céu, numa homenagem clara ao satélite mais belo da Terra.
Infelizmente, durante o breve momento em que olhei para nossa única fonte de luz, o desconhecido finalizou sua serenata e saiu trôpego pela rua, deixando a flor caída no chão. O cantor da minha alma estava indo embora com ela, e o vazio que me rondava antes agora me invadiu por inteiro.
Observo amedrontada enquanto ele segue até um certo ponto da avenida e entra em um beco que eu sei que não tem saída: lá é o fim. Com um suspiro, fecho os olhos. Então... morrer é assim ?"

bru lunardi - conto fantástico pra aula de redação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Calor.
Intenso, repetitivo e mórbido calor.
qualquer lugar parece (e está) abafado e nem uma leve e raríssima brisa melhora a situação - já que a mesma apenas transporta o ar de um lugar para o outro mas não consegue alterar sua absurda temperatura.
Depois de uma semana com chuvas deliciosas lavando a alma dessa cidade, um dia inteiro com o sol soberano regendo todo nosso dia e trazendo consequências até de noite, dá uma sensação claustrofóbica e nauseante. A incapacidade de me livrar dele mesmo estando a um metro do ventilador é frustrante.
Calor é uma coisa apropriada para cidades litorâneas ou próximas à cachoeiras, riachos ou outras fontes de água naturalmente frias; não para o meio do Centro-oeste brasileiro. Aqui não há pra onde correr: em todo lugar faz calor e piscinas são raras nas casas.
Onde está o frio que nos prometem todo ano ? Esperei durante junho, julho e agosto inteiros e praticamente nada. Se não puder ser frio, pelo menos chuva, vento, umidade! O cerrado pode viver dessa secura e calor, mas eu não vivo. Bom... pelo menos eu ainda posso reclamar.
;*

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sabe, eu acho que tenho algum distúrbio de atenção...
não consigo me ater (nem parcialmente) a nenhuma ação se faço várias simultaneamente.
já faz duas horas que a janela de postagem está aberta mas vou dar uma olhada em outra coisa e perco a linha de raciocínio que tava desenvolvendo.
sem contar que meu teclado não colabora pra prender minha atenção na tarefa de escrever aqui e o único assunto que me sobrou tá tão difícil de ir pra frente quanto qualquer outro.
vou dar uma trégua por hoje. vou começar a usar o papel e depois passar pra cá.
;*

terça-feira, 25 de agosto de 2009

aqui perto de casa tem uma sorveteria (la bella). desde a época que o nome era gula gelada eu, minha mãe e minha irmã adorávamos ir lá pra sentar nas mesinhas externas enquanto tomávamos sorvete olhando pro horizonte reto desse cerrado. incrivelmente a visão daquele grande gramado entre dois prédios (a apenas duas ruas de distância) nos lembrava praia: o céu bem azul no fim da tarde jutamente com a brisa fresca que vinha initerrupta e a visão do horizonte até onde a terra começa a se curvar demais.
lindo, simplesmente; nosso pedaço de litoral no meio do centro-oeste.
infelizmente, a praia se foi... a sorveteria continua lá e os dois prédios e o céu azul também. mas o horizonte não é mais visível.
a grama verde foi cercada: uma parede fina de alumínio nos impede de atravessar o campo ou ver do outro lado. o material prateado impede a imagem do mar esverdeado se formar em nossas mentes.
em breve as placas que servem de cerca serão retiradas, o prédio estará pronto e não terei mais vontade de ir à la bella; meu mar foi embora. meu precioso azul-esverdeado foi tampado por blocos de concreto e massa, apoiados uns nos outros para formarem andares.
...
será que o alguém que futuramente comprar um apartamento com varanda pro horizonte vai, algum dia, desfrutar da visão que tanto me agradava ? será que vai colocar sorvete numa tacinha, sentar na varanda e pensar que a terra à frente parece um mar ?
ah, doce esperança de que ainda exista coração mole e mente fértil nesse mundo futuro onde casas serão raras e apartamentos terão vista pra varanda do outro.
;*

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Foras não costumam ser divertidos e às vezes o que era pra ser um fim vira uma novela. Mas alguns são tão ilógicos que você leva a dúvida para a vida.

No meu caso foi um namoro de 8 longos meses de amor e companheirismo. Não consigo lembrar de uma briga sequer e, por motivo de horário(ele estudava de manhã e eu à tarde), nos falávamos por telefone praticamente todas as noites. Tudo corria bem e um certo sábado resolvemos ir ao shopping passear. Eu estava nas nuvens quando voltei pra casa - como sempre que o via - e estranhei que ele me ligasse meia hora depois. Tudo bem, atendi. O que se seguiu foi quase um pedido formal de término. Causa ? Ele não gostava mais de mim como antes, desmentindo um "eu te amo" dito mais cedo. Claro que fiquei abalada e perguntei porque não tinha falado durante as 4 horas que passamos juntos durante a tarde. Resposta ? Não teve coragem.
Depois dessa até desencanei: um garoto louco e covarde ? Com certeza estaria melhor sem ele.

Pauta do TDB: Foras sem noção.